Relator da CPMI do INSS afirma que denúncia de Lindbergh Farias e Soraya Thronicke é ‘infame’ e ocorreu como ‘cortina de fumaça’ para derrubada de seu relatório
O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria-Geral de República (PGR) e a Polícia Federal (PF) contra o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS). Os parlamentares da base chamaram o relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de “estuprador”.
Além de acionar os órgãos, Gaspar protocolou ofícios e representações formais na Corregedoria da Câmara dos Deputados. Nos documentos, ele classificou as acusações como “100% mentirosas, infames e repulsivas” e afirmou que houve tentativa de intimidação para impedir a divulgação do relatório da comissão.
Em um dos ofícios enviados à PF, Gaspar sustentou que as acusações tiveram motivação política e buscavam constranger sua atuação como relator. “O expediente vil, próprio de quem se incomoda com as conclusões da CPMI, tentava me coagir e intimidar no curso do meu trabalho de divulgar o relatório final.”
“Crime abjeto”
Ao comentar o episódio, Gaspar afirmou que foi surpreendido pelas acusações no momento mais sensível dos trabalhos da CPMI do INSS.
“Não tenho dúvida nenhuma de que a minha vida foi muito pesquisada, muito investigada”, declarou. “E, no último dia [da CPMI], justamente quando eu estava lendo o relatório com 216 indiciados, pedindo inclusive o indiciamento do filho do presidente da República, dois parlamentares me acusaram de um crime abjeto, vil, que causa repugnância não só a mim, mas a toda a sociedade brasileira.”
O deputado afirmou que a acusação teve como objetivo desviar o foco das conclusões da comissão.
“O PT, no último dia, trouxe uma cortina de fumaça vil, abjeta, criminosa”, afirmou o relator. “E isso não pode ficar pelo dito e não dito.”
Gaspar apresenta queixa-crime
Gaspar relatou que já apresentou queixa-crime no STF, além de representações à PGR e à PF.
“Apresentei uma queixa-crime por calúnia contra esses dois parlamentares, autores de atos criminosos”, destacou o congressista. “Também fiz uma notícia-crime no STF por denunciação caluniosa e coação no curso do processo.”
O deputado disse ainda que pediu celeridade nas investigações e colocou-se à disposição para qualquer tipo de prova.
“Estou à disposição para quaisquer esclarecimentos, inclusive exame de DNA, se assim entenderem cabível”, ressaltou. “O que eu quero é celeridade para que essa infâmia seja desmascarada.”
Impacto pessoal
Durante o pronunciamento, o deputado também fez um relato pessoal sobre os impactos das acusações em sua vida familiar. “Poderia ter destruído a minha família, o meu futuro e o meu presente”.
“Minha mãe foi parar no hospital, minha mulher não para de chorar, minha filha está chocada”, contou. “Tenho uma história de vida honrada. Nunca ninguém levantou nada contra mim. Eu sempre tive respeito às mulheres e uma vida voltada ao combate à criminalidade.”
Pressão por resposta política no Congresso
Alfredo Gaspar também cobrou uma reação institucional do Congresso Nacional diante do episódio.
“A Casa precisa dar uma resposta política, afirmou. “Ou existe um parlamentar que cometeu esse crime e deve ser cassado e preso, ou existem dois parlamentares que cometeram uma acusação criminosa e devem ser cassados e presos. Não existe meio-termo.”
Ele ainda reforçou que não aceitará retratações informais: “Não existe perdão, não existe desculpa”. “A resposta que eu aceito é justiça plena.”
Representações na Câmara e no Senado
Além das medidas judiciais, Gaspar destacou que partidos já atuam na esfera política para responsabilizar os parlamentares envolvidos.
O Partido Novo protocolou pedidos de suspensão e cassação do mandato de Lindbergh Farias na Câmara dos Deputados. Em relação à senadora Soraya Thronicke, o documento será feito pelo PL no Senado Federal ainda esta semana.





