Gonet sinaliza não ver indícios de crimes envolvendo ministros do STF e Daniel Vorcaro

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, indicou que não há, até o momento, elementos suficientes para abrir uma investigação contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) citados no escândalo envolvendo o Banco Master. Apurações apontam conexões entre Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo a avaliação do chefe do órgão, o material conhecido até agora não apresenta base concreta que justifique uma ação formal. Dias Toffoli foi sócio dos irmãos em uma empresa que negociou cotas de um resort no interior do Paraná com o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro do esquema de fraudes financeiras, enquanto que Moraes é ligado ao caso por causa de um contrato de R$ 129 milhões do escritório da esposa, Viviane Barci, com o banco.

“Investigação pressupõe indício de crime”, disse Gonet em entrevista à revista Veja publicada nesta sexta-feira (10).

Preso pela segunda vez desde o início de março no âmbito das investigações da operação Compliance Zero, Daniel Vorcaro negocia um acordo de delação premiada sob custódia da Polícia Federal, em Brasília. Para obter benefícios, ele precisa apresentar fatos inéditos que não constem no conjunto já reunido pelas apurações sobre fraudes bilionárias atribuídas ao Banco Master.

Por conta disso, a PGR tem adotado uma postura cautelosa ao avaliar o suposto envolvimento de ministros do STF com o banqueiro. O posicionamento tem sido de apurar provas claras e concretas sobre eventuais benefícios recebidos pelos magistrados.

Toffoli passou a ser observado com mais atenção após assumir a relatoria do caso no STF, além de apurações terem apontado outras ligações além dos negócios com seus irmãos. No ano passado, ele viajou a Lima, no Peru, acompanhado de um advogado de um dos envolvidos no caso Master para assistir à final da Copa Libertadores da América.

O caso provocou um profundo desgaste político e institucional dentro do Supremo, ampliando o clima de tensão entre ministros e a opinião pública. Por causa disso, Toffoli deixou a relatoria do processo e se declarou suspeito ao julgar o mandado de prisão preventiva de Vorcaro determinado pelo ministro André Mendonça, que assumiu o comando do caso na Corte.

Já Moraes tem evitado comentar o envolvimento da esposa com o caso. O escritório de Viviane Barci, por outro lado, reconheceu recentemente que prestou serviços ao Banco Master, mas centrados em temas relativos à instituição financeira e sem atuação no STF.

Crédito Gazeta do Povo

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