Os gastos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com anúncios na internet bateram recorde em 2025 e chegaram a R$ 129,6 milhões, o maior valor desde o início da divulgação desse tipo de dado. O montante foi executado pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) e marca uma disparada no uso de recursos públicos para publicidade digital.
O levantamento, realizado pelo Núcleo.jor e divulgado nesta terça (6), aponta que o valor gasto neste ano supera de longe o investido anteriormente. Em 2024, os gastos com anúncios online somaram R$ 42 milhões, enquanto que em 2023, primeiro ano do terceiro mandato de Lula, o valor chegou a R$ 47 milhões. Somados, os três anos da atual gestão petista acumulam R$ 219 milhões em publicidade digital.
Durante os quatro anos do governo Jair Bolsonaro (PL), o total gasto com anúncios na internet foi de R$ 93 milhões. Na comparação direta, o valor desembolsado em apenas três anos da atual gestão mais do que dobra o gasto do governo anterior em todo o mandato.
Procurada pela Gazeta do Povo, a Secom afirmou que o aumento dos gastos segue critérios técnicos e reflete mudanças no comportamento da população. Segundo a pasta, o “reforço do uso das redes sociais para divulgação das ações do Governo do Brasil reflete os novos hábitos da população na hora de buscar informações”.
Na mesma nota, a secretaria declarou que “a estratégia tem como objetivo garantir e ampliar o acesso da população a informações relacionadas aos direitos do cidadão e aos serviços colocados à sua disposição”. O órgão sustenta que a publicidade digital é essencial para alcançar públicos que migraram para o ambiente online.
A série histórica apurada pelo Núcleo.jor considera apenas gastos liquidados por meio de agências de publicidade e reúne informações desde 2009. A partir de 2017, os itens de “comunicação digital” passaram a ser discriminados, embora o governo já investisse em redes sociais e sites antes disso.
O levantamento considera apenas despesas classificadas na rubrica “meio = internet”. Outros meios de veiculação, como rádio e televisão, não entram na conta apresentada.
Os maiores valores foram direcionados a empresas como Google, Meta (Facebook/Instagram/Threads), Kwai e TikTok. Veículos tradicionais como Globo, Record e UOL também aparecem entre os dez sites que mais receberam anúncios pagos pela Secom:
- Google: R$ 39 milhões;
- Meta: R$ 35,8 milhões;
- Kwai: R$ 10,4 milhões;
- TikTok: R$ 4,7 milhões;
- Globo: R$ 3,2 milhões;
- Record: R$ 3 milhões;
- Amazon: R$ 2,7 milhões;
- UOL: R$ 2,1 milhões;
- Editora Globo: R$ 1,5 milhão;
- WarnerBros Discovery: R$ 1,1 milhão.
A aceleração dos gastos ocorreu sob o comando do publicitário-ministro Sidônio Palmeira, que assumiu a Secom em janeiro de 2025 no lugar de Paulo Pimenta. A mudança aconteceu em um momento em que o governo buscava ampliar o controle de narrativas nas redes sociais sobre suas políticas.
Em setembro de 2025, Palmeira afirmou que as Big Techs são “importantíssimas para a comunicação e para o povo brasileiro”. A declaração reforçou a estratégia de concentrar investimentos em grandes plataformas digitais.
Em 2024, ainda sob a gestão de Paulo Pimenta, houve uma redução de cerca de 20% nos gastos com redes sociais em relação ao ano anterior. A queda, no entanto, foi revertida de forma expressiva em 2025, quando os desembolsos atingiram o maior patamar da série histórica.
Veja abaixo o que disse a Secom sobre o levantamento dos gastos com anúncios na internet:
Os critérios utilizados pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) para a distribuição do investimento em publicidade são balizados por critérios técnicos. O reforço do uso das redes sociais para divulgação das ações do Governo do Brasil reflete os novos hábitos da população na hora de buscar informações, com aumento do tempo dedicado à navegação nesses canais. A estratégia tem como objetivo garantir e ampliar o acesso da população a informações relacionadas aos direitos do cidadão e aos serviços colocados à sua disposição.





