Governo Lula: percepção da corrupção aumenta 10 pontos em 2 anos, mostra pesquisa

Levantamento entrevistou 2,5 mil pessoas em todas as unidades da Federação entre 24 e 26 de janeiro

Uma pesquisa do PoderData revela que, nos últimos dois anos, a percepção de crescimento da corrupção durante o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou de 39% para 49%. As entrevistas foram feitas entre 24 e 26 de janeiro, com 2,5 mil eleitores em 111 cidades das 27 unidades da Federação, com margem de erro de 2 pontos porcentuais e intervalo de confiança de 95%.

Enquanto isso, a porcentagem dos que acreditam em queda da corrupção caiu de 30% para 18% no mesmo período. Outros 28% dos entrevistados consideram que o nível permaneceu igual, e 5% não souberam responder. A pesquisa utilizou ligações para telefones fixos e celulares, com sistema URA, garantindo amostragem proporcional a sexo, idade, renda, escolaridade e região.

Metodologia e contexto da pesquisa

Para atingir amostra representativa, o instituto realiza dezenas de milhares de chamadas até encontrar o perfil demográfico adequado. O PoderData, pertencente ao grupo Poder360 Jornalismo, financiou o estudo com recursos próprios, e os resultados foram arredondados para facilitar a leitura, podendo gerar pequenas diferenças nos totais apresentados.

O histórico de Lula na Presidência inclui o escândalo do Mensalão, ocorrido nos primeiros mandatos, quando integrantes do PT foram investigados por desvio de recursos públicos e a Operação Lava Jato. No retorno ao cargo em 2023, o presidente buscava afastar essa imagem, mas novos episódios de corrupção vieram à tona no terceiro mandato.

Casos recentes e repercussão que envolvem o governo Lula

Entre os casos recentes, destacam-se: o indiciamento de Juscelino Filho (União Brasil-MA), ex-ministro das Comunicações, por corrupção e fraudes em licitações; fraudes no INSS, que, apesar de começarem em 2019, tiveram aumento expressivo sob Lula, com investigação da PF de entidades ligadas a José Ferreira da Silva, irmão do presidente; e o asilo concedido à ex-primeira-dama do Peru Nadine Heredia, condenada por corrupção, o que gerou críticas à utilização de recursos públicos na operação.

Outro episódio de destaque envolve Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, citado por suposta ligação com um lobista investigado por fraude no INSS, e pagamentos mensais de quase R$ 300 mil.

Em novembro de 2025, o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master depois de identificar problemas graves de liquidez e violações de normas do SFN. O presidente Lula chegou a se reunir com Daniel Vorcaro, executivo do banco, em diversas ocasiões no Planalto.

Recortes demográficos e polarização política

A sondagem também detalha recortes demográficos: a percepção de aumento da corrupção é maior entre homens (52%), pessoas de 25 a 44 anos (55%), moradores do Centro-Oeste (55%), indivíduos com ensino superior (56%) e renda acima de cinco salários mínimos (56%).

Já a crença em redução da corrupção prevalece entre mulheres (19%), idosos (22%), habitantes do Sudeste e do Norte (20%), pessoas com ensino fundamental (22%) e renda familiar de até dois salários mínimos. Os dados foram estratificados por sexo, idade, região, escolaridade e renda para maior precisão.

Análise do voto no segundo turno de 2022 revela que lulistas e bolsonaristas divergem sobre o tema: 30% dos eleitores de Lula (PT) enxergam aumento da corrupção, enquanto esse porcentual chega a 71% entre apoiadores de Jair Bolsonaro (PL). Por outro lado, 29% dos lulistas percebem diminuição, contra apenas 8% dos bolsonaristas.

Crédito Revista Oeste

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