Chanceler iraniano Abbas Araghchi diz que ideia legitima Israel e defende Estado único com judeus, muçulmanos e cristãos
O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, afirmou neste domingo (6.jul.2025) que seu país “expressa reserva” à proposta de criação de 2 Estados —um israelense e um palestino— mencionada na declaração final da cúpula de líderes do Brics, realizada no Rio de Janeiro. A declaração foi publicada em seu canal no Telegram. Segundo ele, Teerã vai formalizar sua oposição ao trecho por meio de uma nota oficial.
A criação de um Estado palestino soberano, com a unificação da Cisjordânia e da Faixa de Gaza sob a Autoridade Palestina, é defendida historicamente pelo Brics e foi reiterada na cúpula de 2025. O texto também condena o deslocamento forçado da população palestina e alterações demográficas no território de Gaza.
Para o governo iraniano, no entanto, a menção à solução de 2 Estados representa um reconhecimento implícito da legitimidade de Israel, país que o Irã não reconhece diplomaticamente. Araghchi afirmou que essa proposta “não funcionou no passado e não funcionará no futuro”, e que cria um “Estado sem autoridade, sem soberania e sem fronteiras definidas”.
O chanceler argumentou que a única solução justa seria a criação de um Estado único, democrático e laico, com participação de todos os habitantes históricos da região —muçulmanos, judeus e cristãos.
“Acreditamos que o caminho para a justiça é a formação de um Estado unificado, democrático e popular, onde todos os habitantes históricos da Palestina vivam juntos em paz”, afirmou o chanceler.
Ele comparou a proposta à transição sul-africana do regime do apartheid e disse que o modelo deveria ser replicado na Palestina.
“Quando o regime do apartheid caiu na África do Sul, ninguém sugeriu a criação de dois Estados, um para brancos e outro para negros. O caminho seguido foi o de um Estado democrático, em que negros e brancos passaram a conviver em paz, o que resultou em estabilidade e satisfação para todos”, disse.
Crédito Poder360