ONU denunciou aumento significativo das execuções na ditatura dos aiatolás
O Irã executou mais de 840 pessoas desde janeiro, conforme denúncia feita pela Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira, 29. A pena de morte é autorizada pelo regime dos aiatolás, mas a preocupação é que as execuções estejam sendo usadas como repressão estatal.
Segundo a porta-voz da ONU, Ravina Shamdasani, pelo menos 841 pessoas foram executadas entre o início do ano e 28 de agosto. Ela ressaltou que os dados podem ser subestimados devido à ausência de transparência do governo iraniano.
Número crescente de pessoas executadas no Irã
Apenas em julho, 110 pessoas foram executadas, número que corresponde ao dobro do registrado no mesmo mês de 2024. “O número elevado de execuções denota um padrão sistemático de uso da pena de morte como ferramenta de intimidação por parte do Estado”, declarou Shamdasani.
Além disso, o Escritório de Direitos Humanos documentou sete execuções públicas desde o início do ano, prática considerada “uma afronta à dignidade humana”, de acordo com a representante. Atualmente, 11 pessoas aguardam execução. Seis delas são acusadas de rebelião armada por suposta ligação com o grupo opositor Mujahedines do Povo do Irã.
A ditadura iraniana passou a agir ainda com maior rigor depois dos protestos que começaram em setembro de 2022, em decorrência da morte da jovem Mahsa Amini, de 22 anos, em uma prisão do Irã. Ela foi presa por não usar de maneira adequada o hijab.
Milhares de manifestantes foram presos, e dezenas foram condenados e executados a partir do fim de 2022. Depois do ataque de Israel às instalações nucleares do Irã, em junho deste ano, o regime executou supostos espiões israelenses que estavam presos no Irã.