Ministério das Relações Exteriores diz que levará a posição brasileira à Organização das Nações Unidas
O Ministério das Relações Exteriores informou, neste sábado, 3, que o governo brasileiro passou a considerar a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, como presidente interina do país, diante da prisão do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
A posição foi apresentada durante entrevista coletiva concedida no Itamaraty pela secretária-geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, depois de reunião ministerial de emergência coordenada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo nota oficial, Lula comandou a reunião por videoconferência, na manhã deste sábado, enquanto está em viagem de férias no Rio de Janeiro. Participaram do encontro os ministros das Relações Exteriores (Mauro Vieira), da Defesa (José Mucio), da Casa Civil (Rui Costa) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Sidônio Palmeira), além de representantes da Secretaria de Relações Institucionais e do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
De acordo com o Itamaraty, o presidente reiterou os termos de manifestação divulgada mais cedo nas redes sociais, na qual afirmou que a ação militar norte-americana “ultrapassa uma linha inaceitável”, representa “uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela” e cria um “precedente perigoso” para a América Latina.
Maria Laura também afirmou que a posição brasileira seguirá alinhada ao Direito Internacional e à defesa da soberania dos países. Segundo ela, essa posição será apresentada pelo Brasil na reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, convocada para a próxima segunda-feira, 5. “O que está na declaração do presidente hoje de manhã continua sendo a posição do Brasil, que será também apresentada na reunião do Conselho de Segurança”, disse.
Fronteira com a Venezuela segue normal, diz Múcio
O Ministério da Defesa informou, durante a reunião, que não há movimentação anormal na fronteira do Brasil com a Venezuela. Segundo o governo, a região seguirá sob monitoramento, embora o movimento seja mínimo.
“A situação na fronteira nunca foi tão tranquila como está hoje”, declarou Mucio. Ele acrescentou que o Brasil mantém contingente militar na região e que, no momento, não há necessidade de reforço.
Mucio ainda relatou que mantém contato com o governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), e afirmou que, enquanto do lado venezuelano a passagem foi fechada na manhã deste sábado, no lado brasileiro a fronteira permanece aberta e com atividades regulares.
Ainda segundo o Itamaraty, o governo brasileiro mantém contato permanente com a Embaixada do Brasil na Venezuela para acompanhar a situação interna do país. Maria Laura disse que a comunidade brasileira no país “está tranquila e sem nenhuma ocorrência até o momento”. Ela acrescentou que turistas brasileiros estão conseguindo deixar o país normalmente.





