MRE alega pedido ‘desarrazoado’ via LAI; gastos no exterior somam ao menos R$ 240 milhões em 2025
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) negou-se a fornecer, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), a lista de hóspedes que passaram por residências oficiais brasileiras no exterior durante o governo Lula. Esses imóveis já receberam, entre outros, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e o ator Fábio Porchat.
Em 2025, a manutenção de embaixadas e residências oficiais do Brasil no exterior custou ao menos R$ 240,5 milhões.
O portal Metrópoles solicitou, no começo de fevereiro, acesso via LAI à relação de hóspedes de 24 residências oficiais em cidades como Buenos Aires, Roma e Washington — um recorte do total de 133 representações brasileiras no exterior.
O Itamaraty rejeitou o pedido sob a justificativa de que ele seria “desproporcional” e “desarrazoado”, exigindo esforço capaz de sobrecarregar o órgão e prejudicar suas atividades. Na prática, trata-se de informações já existentes nos postos, o que dispensaria trabalho adicional.
O Itamaraty informou apenas que os pedidos foram negados com base no artigo 13, inciso II, do Decreto nº 7.724/2012, que trata de solicitações consideradas “desarrazoadas”. A negativa foi contestada nas três instâncias previstas pela LAI, e o caso agora está sob análise da Controladoria-Geral da União (CGU).
Itamaraty hospedou Fábio Porchat na Itália
É comum que residências oficiais brasileiras em países estratégicos hospedem autoridades, artistas e outras personalidades. Em abril de 2025, por exemplo, Lula e Janja ficaram na residência oficial do Brasil em Roma, o Palácio Pamphilij, na Praça Navona, durante viagem para acompanhar o funeral do papa Francisco.
No fim do mesmo ano, o local recebeu o humorista Fábio Porchat, a convite do embaixador do Brasil na Itália, Renato Mosca de Souza.
Depois de gravar um vídeo que gerou repercussão na embaixada, Porchat pediu moderação nas redes sociais. “Feliz Natal! Sejam leves, sejam felizes, transem, comam, riam e parem de viver para a política”, escreveu. “Isso só corrói a vida de vocês e não muda nada a vida de 90% desses safados que estão no poder!”
Para manter a estrutura no exterior, o MRE empenhou ao menos R$ 240,5 milhões no ano passado. O montante inclui salários de funcionários locais, aluguéis, obras e serviços de manutenção, segundo dados do Sistema integrado de Administração Financeira obtidos via Siga Brasil.
Algumas notas de empenho detalham despesas relacionadas às estadias de Lula e Janja. Em outubro, por exemplo, a embaixada em Roma reservou R$ 10,1 mil para a compra de insumos durante visita oficial do presidente e da primeira-dama ao Fórum Mundial da Alimentação.
Na mesma ocasião, foram destinados R$ 2,5 mil para a aquisição de velas para candelabros da ala de representação da residência oficial.
Já em Nova York, a representação brasileira gastou R$ 9,6 mil com garçons para atender o presidente e a primeira-dama durante a estadia na residência oficial, por ocasião da 80ª Assembleia Geral da ONU.





