Jato de Daniel Vorcaro está à venda com desconto milionário

A aeronave, avaliada em R$ 538 milhões, está sendo ofertada no exterior enquanto investigações e bloqueios de bens avançam sobre o dono do Master

A aeronave mais sofisticada utilizada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, antes de sua prisão, o Gulfstream Aerospace G700, está à venda com um desconto superior a R$ 100 milhões. As informações são da coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo.

O jato, com capacidade para até 19 passageiros e autonomia para voos transcontinentais, foi adquirido em junho por R$ 538 milhões. Desde janeiro, vem sendo ofertado a um grupo restrito de interessados por US$ 80 milhões — cerca de R$ 415 milhões, considerando o câmbio atual.

Embora Vorcaro tenha tido os bens bloqueados por decisão da Justiça Federal de Brasília, a aeronave não foi incluída nas medidas cautelares. Oficialmente, o proprietário é o grupo Prime You, que também detém outros bens utilizados pelo banqueiro, como sua mansão em Brasília.

Até setembro, Vorcaro dividia o controle da Prime You com Maurício Quadrado, também seu ex-sócio no Banco Master. Conforme informado pela empresa ao jornal Valor Econômico, ambos venderam suas participações para a própria companhia.

Até 2023, o empresário Nelson Tanure — investigado pela Polícia Federal (PF) sob suspeita de atuar como sócio oculto do Master — também integrava o quadro societário da Prime You.

Apesar de Vorcaro afirmar que não é mais dono do avião e de a Prime You sustentar que ele não integra mais a sociedade, no círculo restrito de potenciais compradores a venda é vista como uma tentativa de reforçar o caixa para enfrentar processos judiciais e compensar perdas decorrentes da liquidação do banco.

Segundo fontes próximas às negociações, o banqueiro teme que o avanço das investigações sobre uma fraude bilionária no Banco Master amplie o bloqueio patrimonial, alcançando inclusive bens que não estejam formalmente em seu nome, como o jato. Por isso, haveria pressa na alienação.

Avião de Vorcaro acumula dívidas e está estacionado na Europa

Clientes da Prime You foram informados de que a aeronave está estacionada na Europa e acumula dívidas de alguns milhões de dólares referentes a manutenção, taxas aeroportuárias e despesas com tripulação.

Fabricado em 2024 nos Estados Unidos, o G700 seguia para a Europa com a namorada de Vorcaro, a influenciadora Martha Graeff, na noite de 17 de novembro, quando ele foi preso pela PF no Aeroporto de Guarulhos.

O avião havia decolado de Fort Lauderdale, próximo a Miami, mas alterou bruscamente a rota nas proximidades das Bermudas e retornou ao Brasil na madrugada do dia 18.

O último registro público do transponder revela que, em 30 de dezembro, o jato passou por um terminal privado do EuroAirport Basel–Mulhouse–Freiburg, localizado na tríplice fronteira entre Suíça, França e Alemanha.

Administrado pelos governos francês e suíço, o aeroporto é um dos principais hubs da aviação executiva na Europa e fica nas proximidades de Basileia, centro financeiro suíço. A ala suíça oferece facilidades de acesso ao país, incluindo isenções alfandegárias.

Em 17 de dezembro, um mês depois da primeira fase da Operação Compliance Zero, da PF, e da liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, a sociedade controlada pela Prime You registrou na Junta Comercial autorização para a venda da aeronave, adquirida em junho pela PS-MGG Administração por R$ 538 milhões.

Dados do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) revelam que a PS-MGG registrou a Prime You como operadora do avião na Agência Nacional de Aviação logo depois da compra da empresa capixaba Comexport Trading Comércio Exterior, que se apresenta como líder em importações diretas no país.

O RAB não informa eventual contrato de alienação, o que pode indicar aquisição à vista. A assessoria da Prime You afirmou ao O Globo que a aeronave “está em constante oferta e comercialização de compra e venda de cotas e ativos do seu portfólio”.

A ata protocolada na Junta Comercial não revela o nome do novo proprietário, mas registra que os acionistas autorizaram os diretores a concluírem a venda do jato — descrito como “bem próprio da empresa” — a um “terceiro”, de forma “irrevogável, irretratável e sem ressalvas”.

Crédito Revista Oeste

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