Lula acusa direita brasileira de tentar “colocar fim” na democracia na eleição de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou a direita brasileira de tentar colocar um fim na democracia como uma continuação aos atos de 8 de janeiro de 2023. O petista, que concorrerá à reeleição, disparou que as eleições deste ano serão semelhantes às de 2022, em que supostamente houve uma tentativa de mudança no regime político do país.

Lula acusou a suposta existência de um “esquema de ultra direita” contra políticas públicas democráticas para o povo brasileiro como, em sua visão, teria ocorrido no governo anterior de Jair Bolsonaro (PL).

“Há uma tentativa de consolidar um esquema de ultra direita que passa por colocar o fim da democracia, porque sonham em fechar a Suprema Corte, fraudes nas urnas eletrônicas e questionando as instituições. As eleições serão novamente para defender a democracia. Teremos que explicar para a sociedade novamente o significado da democracia”, afirmou Lula em entrevista ao site ICL Notícias nesta quarta (8).

Lula ainda retomou o assunto, em outro momento da entrevista, afirmando que sua candidatura à reeleição é uma necessidade “para que a gente não permita que os fascistas voltem a governar esse país”.

O presidente petista retomou o discurso de que seu terceiro mandato pegou o Brasil numa situação de “terra arrasada” em que precisou reconstruir as políticas públicas, com dois anos refazendo o que supostamente foi destruído por Bolsonaro e que 2026 está sendo o “ano da colheita” – como ele comumente repete em seus discursos.

“Pra que eu quero ou preciso de um quarto mandato? Eu tenho na cabeça que é importante dar um salto de qualidade, porque a gente discute muito os efeitos e não discute a causa. E acho que está na hora de discutirmos as causas dos problemas brasileiros para podermos mudar”, afirmou citando feitos de seu governo na área da educação e que o próximo passo é a discussão do “sequestro do orçamento secreto”, em referência às emendas parlamentares que se tornaram um forte ponto de atrito entre o governo e o Congresso.

Para Lula, “60% do orçamento vai para deputado e senador”, que o petista considera “incorreto” e que precisaria estar atrelado ao projeto de governo eleito pela sociedade. Lula também criticou os chamados “penduricalhos” pagos pelo Judiciário, que foram alvos de decisões recentes dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mas que acabaram aprovados em 70% acima do teto constitucional.

“É preciso acabar com a promiscuidade política desse país, os partidos vão ter que compreender que não dá pra continuar assim. A verdade não vale mais nada e não é levada em conta”, disparou.

Flávio e os EUA

Em outro momento da entrevista, Lula acusou seu principal oponente nas eleições deste ano, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de querer vender as riquezas do Brasil atreladas às chamadas “terras raras” aos Estados Unidos se for eleito. Esses minerais são cruciais para a produção de componentes tecnológicos, mas que o país não processa, apenas vende em estado bruto a outras nações.

“Ele quer vender para os Estados Unidos uma coisa que é tão importante para o Brasil. É como se eu pegasse o petróleo e falasse ‘não precisa ser meu, vai ser dos Estados Unidos’. É uma vergonha, inclusive que o [Ronaldo] Caiado [PSD, governador de Goiás] fez, um acordo com empresas americanas fazendo concessão de coisas que não pode fazer por serem da União”, disparou.

Ele emendou questionando “o que aqueles brasileiros que têm complexo de vira-lata, que vão para os Estados Unidos pedir pro Trump invadir o Brasil, vão prometer dar pro Trump aquilo [que temos]? Não vamos deixar, isso vai fazer parte do processo da luta política”.

Já em relação aos Estados Unidos, Lula ainda chamou o presidente Donald Trump de “cidadão no mundo que acha que é imperador”, que governa pelas redes sociais e que “todo dia decide ou desfaz uma coisa”. “Pelo que eu tenho visto do Trump nesses anos, nada com ele é impossível”, completou.

As novas críticas ao presidente do país norte-americano ocorrem em meio às negociações para uma visita oficial de Estado de Lula a Washington, que deveria ter ocorrido em março, mas que foi adiada sem uma nova data definida por causa da ofensiva dos Estados Unidos junto de Israel ao Irã.

Intervenção nas eleições

Lula ainda comentou sobre a possibilidade de intervenção dos Estados Unidos ou de outros países do mundo nas eleições brasileiras deste ano, como recentemente se discutiu nos bastidores do Poder em Brasília. Para ele, nenhuma outra nação tem o direito de questionar o processo eleitoral do Brasil.

“Ninguém, nem Trump, nem [Emmanuel] Macron (da França), nem Xi Jinping (da China), ninguém nesse mundo tem o direito de colocar sob suspeita o processo eleitoral brasileiro pelo comportamento da nossa Justiça Eleitoral e pela seriedade das urnas. Se ele [Trump] fizer, nós vamos dizer que ele está mentindo, vai ter um enfrentamento político desnecessário”, disparou.

Crédito Gazeta do Povo

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