Presidente afirma que disputa repetirá cenário de 2022 e cita risco às instituições
O presidente Lula (PT) afirmou que a direita brasileira tenta “colocar fim” na democracia e associou o cenário político às eleições de 2026 aos atos de 8 de janeiro de 2023. Segundo ele, a disputa deve repetir o ambiente de 2022.
Durante entrevista ao ICL Notícias, Lula disse haver um “esquema de ultra direita” voltado contra políticas públicas e instituições. Ele citou críticas ao sistema eleitoral e ao funcionamento do Judiciário.
“Há uma tentativa de consolidar um esquema de ultra direita que passa por colocar o fim da democracia, porque sonham em fechar a Suprema Corte, fraudes nas urnas eletrônicas e questionando as instituições. As eleições serão novamente para defender a democracia. Teremos que explicar para a sociedade novamente o significado da democracia”, afirmou.
Em outro momento, o presidente declarou que pretende disputar a reeleição para impedir o retorno de adversários ao poder.
O petista também voltou a afirmar que assumiu o governo em cenário de “terra arrasada” e disse que seu mandato atual busca reconstruir políticas públicas. Segundo ele, 2026 será o “ano da colheita”.
“Pra que eu quero ou preciso de um quarto mandato? Eu tenho na cabeça que é importante dar um salto de qualidade, porque a gente discute muito os efeitos e não discute a causa. E acho que está na hora de discutirmos as causas dos problemas brasileiros para podermos mudar”, declarou.
Lula criticou ainda a destinação de recursos do Orçamento ao Congresso e mencionou as emendas parlamentares como ponto de conflito. Também citou os pagamentos extras no Judiciário, conhecidos como “penduricalhos”.
“É preciso acabar com a promiscuidade política desse país, os partidos vão ter que compreender que não dá pra continuar assim. A verdade não vale mais nada e não é levada em conta”, disse.
Ao falar sobre adversários, Lula acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de defender a venda de riquezas nacionais ligadas a terras raras para os Estados Unidos. Ele também mencionou o governador Ronaldo Caiado ao criticar acordos com empresas estrangeiras.
“Ele quer vender para os Estados Unidos uma coisa que é tão importante para o Brasil. É como se eu pegasse o petróleo e falasse ‘não precisa ser meu, vai ser dos Estados Unidos’. É uma vergonha, inclusive que o [Ronaldo] Caiado fez, um acordo com empresas americanas fazendo concessão de coisas que não pode fazer por serem da União”, afirmou.
O presidente também comentou a relação com os Estados Unidos e criticou o presidente Donald Trump (Republicano).
“Pelo que eu tenho visto do Trump nesses anos, nada com ele é impossível”, declarou.
Sobre o processo eleitoral brasileiro, Lula afirmou que não aceita questionamentos de outros países.
“Ninguém, nem Trump, nem [Emmanuel] Macron, nem Xi Jinping, ninguém nesse mundo tem o direito de colocar sob suspeita o processo eleitoral brasileiro pelo comportamento da nossa Justiça Eleitoral e pela seriedade das urnas. Se ele fizer, nós vamos dizer que ele está mentindo, vai ter um enfrentamento político desnecessário”, disse.





