Lula classifica prisão de Maduro como “lamentável”

Aliado histórico do ditador, o petista acredita que intervenção dos EUA na Venezuela é “extremamente preocupante”

O presidente Lula disse que a ofensiva dos Estados Unidos na Venezuela e a prisão do ditador Nicolás Maduro representam “mais um capítulo lamentável na erosão do direito internacional”.

Em artigo publicado neste domingo, 18, no New York Times, Lula criticou o uso recorrente da força por grandes potências e disse que a prática enfraquece a Organização das Nações Unidas (ONU) e o sistema multilateral.

Segundo o presidente, ações unilaterais ameaçam a paz e a estabilidade globais, afetam comércio e investimentos, ampliam crises migratórias e fragilizam Estados. Lula afirmou ser “particularmente preocupante” que a ofensiva atinja a América Latina e disse que esta é a primeira vez, em mais de 200 anos, que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos EUA.

Lula disse que o futuro da Venezuela tem de ser decidido pelos próprios venezuelanos, por meio de um processo político inclusivo, e afirmou que o Brasil não será “submisso a projetos hegemônicos”. Apesar das críticas, disse manter diálogo construtivo com Washington.

Articulação regional de Lula

Depois da prisão de Maduro, Lula conversou com líderes de Colômbia, México e Canadá. Os chefes de governo defenderam solução “pacífica, sem violência, por meio de diálogo e negociação”.

O Brasil reforçou a fiscalização na fronteira com a Venezuela, enviou ajuda humanitária e defende que o caso seja debatido em fóruns multilaterais, como a ONU e a Celac. Maduro foi deposto e preso em 3 de janeiro, levado aos EUA sob acusação de ligação com o narcotráfico. A vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o governo e negociou com Washington a abertura do mercado de petróleo venezuelano.

Os EUA afirmam que a ofensiva teve como objetivo capturar Maduro, acusado de liderar o chamado Cartel de los Soles. O governo venezuelano classificou a ação como tentativa de mudança de regime e apropriação de recursos estratégicos.

Crédito Revista Oeste

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