‘Manifestantes são inimigos de Deus’, diz procurador-geral do Irã

Protestos começaram no fim de dezembro e ameaçam a ditadura no país

Mohammad Movahedi-Azad, procurador-geral do Irã, declarou que todos os manifestantes envolvidos na recente onda de protestos no país são “mohareb”. Trata-se do jargão jurídico para “inimigos de Deus”, o que a legislação iraniana define como um crime punível com a morte. A mensagem foi publicada no sábado 10.

“Todos os criminosos envolvidos nos recentes distúrbios são mohareb”, disse Movahedi-Azad. “Os processos devem ser conduzidos sem complacência, sem aplicação de clemência ou tolerância. As promotorias devem, com rigor e sem perda de tempo, emitir denúncias.”

Protestos no Irã

No fim de dezembro, manifestações começaram a tomar as ruas iranianas para protestar contra o aumento do custo de vida no país. Os protestos se intensificaram ao longo dos dias, e a pauta passou a ser a derrubada do regime — uma ditadura que comanda o Irã há 46 anos. O país se tornou uma República Islâmica quando o grupo liderado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini chegou ao poder, em 1979.

Aiatolá é a palavra árabe para “sinal de Deus” e designa uma alta posição no clero islâmico xiita. No governo muçulmano, Khomeini recebeu o título de Líder Supremo — a posição com o maior poder no regime. Ele ficou no cargo até 1989, quando morreu. Em seu lugar, assumiu Ali Khamenei, que se mantém até hoje no posto.

Sob o comando dos aiatolás, os iranianos saíram de uma monarquia laica para mergulhar em uma ditadura religiosa. Mulheres e homens não são iguais perante a lei. Homossexuais são punidos com a morte. Cristãos e judeus não têm os mesmos direitos que os muçulmanos. A repressão aos opositores é política de Estado. De acordo com a ONG Iran Direitos Humanos, estimativas mostram que o número de mortos na atual onda de protestos possa ter passado de 6 mil.

Crédito Revista Oeste

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