Mensagens mostram atuação de sócio oculto do Careca do INSS

Tiago Schettini queria esconder seu nome na criação da empresa ligada ao esquema de descontos indevidos

Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) revelam que o empresário Tiago Schettini Batista atuou para evitar ser identificado como sócio do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, na criação de uma empresa de call center investigada por ligação com o esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Em uma das conversas, Schettini afirmou ser necessário esconder “meu nome do dígito do Antônio”. Em outro momento, declarou: “Onde entra meu nome, f*de. Por causa das investigações e das dívidas”.

Procurada, a defesa afirmou ser “equivocada a suposição de que Tiago era sócio de qualquer empresa da qual não figura no quadro societário”. As informações são da coluna de Tácio Lorran no portal Metrópoles.

Segundo a PF, Schettini e o Careca do INSS atuavam como sócios ocultos e controladores da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca, entidade investigada por fraudar descontos de mensalidades nas aposentadorias do INSS.

Relatórios da investigação revelam que a tentativa de ocultação ficou evidente durante as tratativas para a criação da empresa de teleatendimento ACDS Call Center Ltda (Truetrust Call Center).

Em junho de 2023, o consultor Rubens Oliveira Costa — apontado pela PF como o “homem da mala” do Careca do INSS — informou a Schettini que havia recebido do lobista a demanda para abrir a nova empresa, que teria como sócios Tiago, Antonio Antunes e Domingos Sávio de Castro.

Em resposta, Schettini deixou clara a necessidade de não aparecer formalmente na estrutura societária. Em áudio enviado em 9 de junho de 2023, afirmou: “Não dá para ser eu, cara, senão fica ruim o nome da empresa, entendeu? Se for meu nome… Meu nome cheio de problema, não posso levar confusão para a empresa nova”.

Ele acrescentou que sua participação direta poderia dificultar o acesso da companhia a crédito e atrair investigações e dívidas pessoais para o novo negócio.

Como alternativa para participar do empreendimento sem constar oficialmente, Schettini sugeriu a Rubens Oliveira Costa o uso de uma empresa intermediária ou de fachada. Na conversa, citou a BrasilDev como forma de “esconder meu nome do dígito do Antônio”.

Sócio oculto do Careca do INSS já foi preso pela PF

Schettini é dono de uma empresa de tecnologia que esteve no centro de investigações sobre fraudes contratuais com o governo federal. O empresário chegou a ser preso pela Polícia Federal em decorrência dessas apurações.

A empresa, Business to Technology Consultoria e Análise de Sistemas Ltda (B2T), foi punida pela Controladoria-Geral da União por corrupção e fraude contratual e ficou proibida de contratar ou licitar com a administração pública por cinco anos.

A sanção foi aplicada em fevereiro de 2023, mas passou a vigorar em junho de 2024. A companhia também recebeu multa de R$ 7,7 milhões, que não foi quitada e acabou inscrita na Dívida Ativa da União.

Conforme revelado anteriormente, a B2T recebeu R$ 16,26 milhões de pelo menos cinco entidades associativas investigadas pela PF no escândalo dos descontos indevidos de aposentados e pensionistas do INSS.

Schettini foi alvo de mandado de prisão no âmbito do caso conhecido como “Farra do INSS”, mas atualmente está nos Estados Unidos. A defesa tenta revogar no Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão preventiva decretada em dezembro, na última fase da Operação Sem Desconto.

De acordo com a PF, o fato de Schettini estar associado a escândalos que envolvem o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes e o Ministério do Trabalho e Emprego levou os investigadores a identificarem indícios de que o Careca do INSS teria atuado para blindá-lo antes da deflagração da primeira fase da Operação Sem Desconto, em abril do ano passado.

Em novembro do ano passado, uma reunião da CPMI do INSS chegou a ser cancelada depois de Schettini apresentar um habeas corpus. Com decisão favorável do STF, ele ficou dispensado de comparecer ao colegiado.

Crédito Revista Oeste

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