Sacerdote afirmou que fiéis alinhados ao parlamentar não deveriam participar do maior sacramento da fé católica
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reagiu neste domingo, 8, às declarações do padre Flávio Ferreira Alves, feitas durante uma missa na Paróquia Santa Efigênia, em Córrego Novo (MG). Na ocasião, o sacerdote afirmou que fiéis que apoiam o parlamentar deveriam deixar a Igreja e se abster de receber a eucaristia, o maior sacramento da fé católica.
“Vou falar uma coisa grave: se você concorda com Nikolas, que não quer dar botijão de gás para o pobre, por favor, saia da igreja agora”, disse o padre. “Você não merece receber a eucaristia.”
Por meio de suas redes sociais, o deputado afirmou que o caso ultrapassou os limites da crítica política. Segundo ele, o uso do altar para manifestações ideológicas se tornou comum entre líderes religiosos. No entanto, a atitude do sacerdote foi além: condicionou o recebimento da eucaristia à posição do fiel em relação a seu mandato.
“Ele condicionou a Eucaristia — que, dentro da Igreja Católica, é o maior sacramento, o momento de maior comunhão com Cristo”, disse Nikolas. “Ele condicionou isso ao fato de me apoiar ou não: se você não me apoia, então pode ter comunhão com Cristo; se você me apoia, você não pode.”
A fala do padre se refere ao voto de Nikolas contra a Medida Provisória (MP) n° 1.313/2025, que alterou as regras do antigo programa Gás dos Brasileiros. A nova versão, chamada Gás do Povo, extingue o repasse em dinheiro e determina que a retirada do botijão seja feita exclusivamente em pontos credenciados pelo governo.
Perderam todos os limites. pic.twitter.com/8hXdLdSN8f— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) February 8, 2026
Em resposta, Nikolas argumentou que seu posicionamento sobre a MP gerou mais indignação no sacerdote do que temas que deveriam preocupar de fato um líder religioso. Entre os exemplos, mencionou a defesa do aborto por setores da esquerda, os escândalos de corrupção no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e os casos que envolvem o setor financeiro, como o do Banco Master.
“O fato de eu ter votado contra isso indigna mais esse padre e essas autoridades religiosas do que a esquerda, que milita em prol de matar uma criança dentro do ventre, que é o aborto?”, interpelou. “Os escândalos do INSS, com idosos sendo roubados, não escandalizam? Pessoas recebendo ditadores e sanguinários no Brasil não indignam? Os casos do Banco Master, envolvendo um monte de gente, não causam revolta?”
Entenda as regras da Igreja para o acesso à eucaristia
Pela doutrina da Igreja Católica, apenas fiéis em estado de graça podem comungar — ou seja, aqueles que não estão em pecado mortal. Antes de receber a eucaristia, o fiel deve se confessar, caso tenha cometido faltas graves. Além disso, é necessário professar a fé católica, aceitar os ensinamentos da Igreja e manter uma conduta moral coerente com sua doutrina.
A norma vale para todos os batizados, incluindo figuras públicas e autoridades políticas. No entanto, a decisão de negar a comunhão publicamente costuma ser reservada a casos excepcionais. O Vaticano também desaconselha o uso da liturgia como instrumento de disputa ideológica.
Além disso, a Igreja mantém uma posição oficial de rejeição ao comunismo. Documentos como a encíclica Divini Redemptoris (1937), do papa Pio XI, condenam o materialismo marxista e sua negação de Deus.
O catecismo atual também rejeita toda forma de coletivismo que atente contra a liberdade individual, a propriedade privada e a dignidade da pessoa humana.





