Coffee Break apura desvios em contratos de materiais didáticos em licitações no interior paulista
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira, 15, a terceira fase da Operação Coffee Break, que mira a ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Carla Ariane Trindade, ex-mulher de Marcos Cláudio Lula da Silva, enteado do petista, é suspeita de receber propinas do empresário André Gonçalves Mariano. Este, por sua vez, seria o pivô do esquema.
A operação busca aprofundar as investigações sobre supostas fraudes em licitações. O foco são contratos de materiais didáticos em prefeituras do interior de São Paulo.
Nesta etapa da Coffee Break, a PF cumpriu três mandados de busca e apreensão em São Paulo. A corporação também executou medidas de constrição patrimonial. A Polícia Federal afirma que o esquema de corrupção e desvio de recursos da Educação opera desde, pelo menos, 2021.
O relatório parcial aponta que agentes públicos, lobistas, doleiros e um empresário formaram uma “organização criminosa estruturada”, com atuação em diferentes prefeituras. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
A PF afirma que recursos do Ministério da Educação foram desviados por meio de direcionamento e superfaturamento. Os crimes incluem corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e organização criminosa.
Envolvimento da ex-nora de Lula
Na fase anterior da operação, em 13 de novembro, a PF prendeu seis pessoas por suspeita de fraudes em licitações em Sumaré e Hortolândia. Entre os presos estava o vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César (PSB).
As investigações se concentram na empresa Life Tecnologia Educacional, que recebeu cerca de R$ 70 milhões para fornecer kits e livros escolares a três prefeituras.
Segundo os investigadores, André Mariano, dono da Life, contratou Carla Ariane Trindade para obter vantagens no governo federal. Em uma agenda apreendida, o nome de Carla aparece com o apelido “Nora”, em referência ao antigo vínculo familiar com o presidente.
Os investigadores apontam indícios de que a ex-nora do presidente atuou em Brasília para viabilizar a liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) à Life. A PF também cita Kalil Bittar, ex-sócio de um dos filhos de Lula.
Carla Ariane foi casada com Marcos Cláudio Lula da Silva, filho da ex-primeira-dama Marisa Letícia. Kalil Bittar é irmão de Fernando Bittar, proprietário do sítio de Atibaia (SP) investigado na Lava Jato, e foi sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na empresa Gamecorp.





