PGR decide arquivar ação de jornalista que colaborava com o TSE com denúncias

Letícia Sallorenzo denunciou ao STF colegas que publicaram informações do escândalo conhecido como Vaza Toga

A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu nesta sexta-feira, 23, arquivar a ação movida pela jornalista Letícia Sallorenzo de Freitas contra os colegas de profissão David Ágape e Eli Vieira e contra Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ágape e Vieira publicaram a série de reportagens conhecida como “Vaza Toga”, com base em informações de Tagliaferro, que trabalhou na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE e divulgou mensagens trocadas entre assessores de Moraes que expõem o uso do tribunal para perseguir investigados.

Em parecer na Petição 14.760, Paulo Gonet opinou pelo arquivamento da ação de Sallorenzo. A jornalista afirmou que foi vítima de uma campanha difamatória voltada para prejudicar sua reputação profissional, mencionando publicações que, segundo ela, questionavam sua atuação e estimulavam hostilidade. Entre os materiais citados, estavam postagens nas quais Ágape e Vieira compartilhavam uma reportagem sobre a jornalista.

O procurador-geral argumentou que os fatos relatados dizem respeito à esfera privada de Sallorenzo e devem ser avaliados nas instâncias cível e criminal comuns, sem necessidade de apreciação pelo STF. “Na hipótese, eventual impacto negativo à honra da noticiante causado pelos conteúdos impugnados poderá ser corrigido pela via individual, criminal e cível”, afirmou Gonet.

As alegações da jornalista

Letícia Sallorenzo pedia a condenação dos três por crimes como calúnia, difamação, injúria, ameaça, perseguição, incitação, apologia ao crime, associação criminosa, peculato, prevaricação, violação de sigilo funcional, coação processual e até mesmo tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Ela protocolou a ação em outubro de 2025, depois de uma suposta campanha digital contra ela com base em declarações de Tagliaferro. A petição inicial listava termos ofensivos a ela, como “bruxa do TSE”, “infiltrada” e “X-9”. A defesa alegou que os ataques usaram o método “firehosing”, caracterizado por volume elevado de informações falsas para prejudicar a vítima.

Segundo reportagens da Vaza Toga, Sallorenzo colaborou no Tribunal Superior Eleitoral, então presidido por Alexandre de Moraes, indicando contas e postagens que, conforme o tribunal, disseminariam desinformação. O procurador-geral observou, contudo, que o caso não se relaciona com os inquéritos das milícias digitais (Inq 4874/DF) ou das fake news (Inq 4781/DF) em tramitação no STF.

Crédito Revista Oeste

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