Nas redes sociais, Mauro Mattosinho afirma que levava dinheiro em espécie como ‘encomenda’ para Brasília
Em um vídeo publicado nas redes sociais, o piloto Mauro Mattosinho revelou, no sábado 31, ligações entre os empresários Mohamad Hussein Mourad, o ‘Primo’, e Roberto Augusto Leme da Silva, o ‘Beto Louco’, alvos importantes da Operação Carbono Oculto, que mirou ações do PCC na Faria Lima, com figuras políticas de Brasília, como o ministro Dias Toffoli, do STF, e o senador Davi Alcolumbre (União-AP). Entre as empresas citadas na investigação da PF está a Reag Investimentos.
Conforme o ex-funcionário, a articulação dos voos, das aeronaves e das relações interpessoais ficava por conta de um homem chamado Epaminondas. Não era incomum ele receber a tarefa de levar dinheiro em espécie até a capital federal.
“Entre janeiro e maio de 2024, voei exclusivamente para Beto, Primo, seus familiares e funcionários, conhecidos como ‘pessoal da Reag’”, contou. “A partir de maio, os voos se intensificaram, especialmente para Brasília.”
Mattosinho chegou a citar políticos e figuras do Judiciário que mantiveram relações com a dupla. Em 6 de agosto de 2024, Epaminondas deu a ele a missão de entregar ”com cuidado” uma sacola com dinheiro ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Toffoli e outras pessoas envolvidas nas relações da dupla
Ainda no material publicado nas redes sociais, o piloto afirmou que, entre agosto e setembro de 2024, Beto Louco e Primo articularam encontros com o senador Davi Alcolumbre (União-AP) e deram “carona” ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), até o Tayayá Resort.
“Durante esse período, a frota da empresa começou a crescer rapidamente, e eles compraram aeronaves que juntas somam centenas de milhões de reais”, contou Mattosinho.
“Segundo Epaminondas, elas pertenciam a um grupo formado por Antônio Rueda, presidente do União Brasil, o lobista Danilo Trento e Cesar Astor Rocha, ex-ministro do STJ, além de seu filho. Epaminondas dizia ainda que Rueda articulava recursos do BRB [Banco de Brasília] para a compra de um hangar próprio no Aeroporto Internacional de Brasília.”
O Banco de Brasília (BRB) tentou a compra do Banco Master, mas foi impedido pelo Banco Central, que decidiu pela liquidação da instituição financeira privada. O Master teria feito gestão fraudulenta no mercado financeiro brasileiro, com emissão de créditos fictícios, sem lastro, e manipulação de balanços para inflar o patrimônio, gerando uma deficiência de bilhões de reais.
Dias Toffoli, cuja família tem histórico de investimentos em fundos ligados ao Banco Master e ao seu dono, Daniel Vorcaro, incluindo o resort, assumiu o controle do inquérito que investiga as fraudes financeiras. Ele centralizou a investigação e adotou medidas sigilosas, como a restrição de acesso da Polícia Federal às provas.





