PL critica exoneração de servidora que denunciou o uso político do IBGE

Algumas mudanças no instituto ocorrem a pouco mais de um mês da divulgação dos dados do PIB de 2025

O Partido Liberal (PL), sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro, criticou a decisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de exonerar Ana Raquel Gomes da Silva, então responsável pela Gerência de Sistematização de Conteúdos Informacionais (Gecoi). A servidora atua no órgão há mais de quatro décadas.

De acordo com o jornal O Globo, fontes internas sugerem que a decisão pode estar ligada a denúncias feitas pela servidora no ano passado sobre o uso de publicações oficiais do IBGE para fins de propaganda política.

Na ocasião, a Escola Nacional de Ciências Estatísticas elaborou uma carta criticando o teor político do periódico Brasil em números 2024, que trouxe no prefácio um artigo assinado por Raquel Lyra, governadora de Pernambuco, elogiando a atual gestão do instituto.

A comunicação da exoneração ocorreu na quarta-feira 28, em reunião na unidade da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde funciona a Gecoi.

José Daniel, coordenador do Centro de Documentação e Disseminação de Informações e assessor direto do presidente Márcio Pochmann, anunciou a decisão e informou a transferência do setor para Parada de Lucas, também no Rio.

“A exoneração da servidora do IBGE, com mais de 40 anos de casa, não é um movimento de governo”. afirmou o PL em publicação no X, nesta sexta-feira, 30. “É um movimento político! Ela denunciou, no ano passado, o uso de informações como propaganda de mandato e agora é retaliada. Claro, se Lula tenta censurar o povo, que não está sob seu controle, imagina se não vai querer calar quem de fato é subordinado ao Poder Executivo.”

Clima de instabilidade no IBGE

Segundo o IBGE, José Márcio Batista Rangel, atualmente na Coordenação de Marketing e aprovado no Concurso Público Nacional Unificado, será o substituto interino de Ana Raquel.

Rangel possui experiência no setor público, tendo atuado no Arquivo Nacional e no Conselho Nacional de Arquivos.

O IBGE enfrenta um clima de instabilidade institucional, marcado por mudanças de liderança e tensões internas.

A saída de Ana Raquel soma-se ao afastamento recente de Rebeca Palis da coordenação das Contas Nacionais, além dos pedidos de desligamento de Cristiano Martins, Claudia Dionísio e Amanda Tavares, todos gerentes da mesma área.

As mudanças ocorrem a pouco mais de um mês da divulgação dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025.

Impacto das saídas em áreas estratégicas

Mesmo depois de deixarem os cargos de chefia, os servidores permanecem no IBGE, atuando na equipe das Contas Nacionais.

No entanto, funcionários apontam que as recentes baixas podem comprometer o andamento de revisões e projetos, além de temerem novas exonerações nos próximos dias.

Crédito Revista Oeste

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