Placar da anistia: requerimento de urgência tem 191 apoiadores

São necessárias 257 assinaturas para a aprovação do regime

O requerimento de urgência para votação do Projeto de Lei 2.858/2022, que concede anistia aos manifestantes presos em razão dos atos de 8 de janeiro de 2023, já reúne 191 assinaturas de deputados federais.

A proposta busca acelerar a análise do projeto e o levar diretamente ao plenário, sem passar pelas comissões temáticas. Ao todo, são necessários 257 votos — ou seja, faltam 66.

A bancada do Partido Liberal (PL), do qual o ex-presidente Jair Bolsonaro é filiado, lidera o apoio, com 86 assinaturas, quase metade do total de parlamentares que endossaram o pedido. Também integra o partido o autor do requerimento de urgência, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

Deputados da oposição argumentam que as prisões foram excessivas, politicamente motivadas e que muitos dos detidos são cidadãos comuns que estavam nas imediações dos protestos, sem envolvimento com atos de vandalismo. Eles defendem a anistia como um gesto de pacificação nacional e de respeito ao devido processo legal.

O projeto de anistia ainda não tem data para votação. Caso o regime de urgência seja aprovado, o texto poderá ser votado a qualquer momento. Neste cenário, dependeria apenas da decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Apoios por partido

  • PL — 86 (de 92 deputados);
  • PP — 26 (de 49);
  • União Brasil — 23 (de 59);
  • Republicanos — 15 (de 45);
  • MDB — 13 (de 44);
  • PSD — 13 (de 44);
  • Novo — 4 (de 4);
  • Podemos — 4 (de 15);
  • PRD — 2 (de 5);
  • Avante — 2 (de 7);
  • PSDB — 2 (de 14); e
  • Cidadania — 1 (de 4).

O que prevê o Projeto de Lei da Anistia

Projeto de Lei nº 2858/2022, de autoria do então deputado federal Major Vitor Hugo (PL-GO), propõe conceder anistia a todos os cidadãos que tenham participado de manifestações em qualquer local do território nacional no período compreendido entre 30 de outubro de 2022, data do segundo turno das eleições presidenciais, e a data de entrada em vigor da futura lei.

O texto abrange manifestantes, caminhoneiros, empresários e demais envolvidos, seja fisicamente, por apoio logístico ou mesmo por declarações públicas, comentários e publicações em redes sociais ou outras plataformas na internet.

A anistia cobre crimes políticos, crimes conexos aos políticos e infrações eleitorais. A definição de crimes conexos, para fins da proposta, inclui quaisquer delitos relacionados a crimes políticos ou que tenham sido motivados por razões políticas.

A redação também deixa claro que o apoio às manifestações não se restringe à presença física: o financiamento, a organização, o incentivo, bem como a manifestação de opinião nas redes sociais, estão contemplados como formas de participação.

O escopo da anistia inclui manifestações ocorridas em rodovias de qualquer natureza — federais, estaduais, municipais ou vicinais — mesmo que tenham implicado bloqueios ou restrições ao trânsito. Ele também anistia condenações por litigância de má-fé em ações judiciais de natureza eleitoral relacionadas à eleição presidencial de 2022.

O projeto determina a anulação de todas as multas aplicadas pela Justiça Eleitoral ou Justiça Comum às pessoas físicas e jurídicas envolvidas nos atos descritos. O texto também abrange a revogação de quaisquer restrições de direitos impostas em decorrência das manifestações.

Isso inclui a proteção à liberdade de expressão, à imunidade parlamentar por opiniões e votos, e à liberdade de imprensa, independentemente do meio utilizado para a manifestação, seja em atos públicos, entrevistas, programas jornalísticos ou redes sociais.

A justificativa apresentada pelo autor defende que o projeto busca oferecer uma resposta política e jurídica à repressão sofrida por manifestantes que, segundo o então deputado, exerciam legitimamente seus direitos constitucionais de expressão e reunião.

Para Vitor Hugo, as manifestações não constituem ações antidemocráticas, mas sim atos espontâneos de cidadãos indignados com o processo eleitoral de 2022 e com a falta de abertura para o questionamento institucional. Ele afirma que setores da sociedade, como estudiosos, jornalistas e cidadãos comuns foram censurados ao tentarem expor suas opiniões.

Crédito Revista Oeste

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