Em carta aberta, cerca de 400 funcionários ainda alertam para riscos à credibilidade da instituição
Preocupações sobre a condução do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vieram à tona depois de uma carta aberta assinada por cerca de 400 servidores questionar exonerações recentes.
O grupo alega que a retirada de 20 funcionários de cargos estratégicos, seja por determinação, seja por pedido, ocorreu em razão de divergências técnicas e de compliance com a administração vigente.
Segundo o documento, essas substituições sistemáticas de profissionais experientes em áreas-chave, em momentos considerados críticos, têm ocorrido sem justificativa técnica clara à sociedade. Para os servidores, tal prática acarreta fragilidade à estabilidade técnica e à memória institucional do IBGE, elementos que sempre caracterizaram o órgão.
Rupturas institucionais e impactos na governança do IBGE
A carta destaca que a deterioração institucional não acontece de maneira abrupta, mas, sim, por uma sucessão de pequenas rupturas. “Instituições não se desconstroem de uma vez”, alerta o texto. “Desgastam-se por sucessivas fissuras.”
Em fevereiro, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu pela extinção da Fundação IBGE+, criada em julho de 2024 como entidade público-privada para captar recursos extras ao IBGE. A iniciativa, que buscava ampliar o financiamento para pesquisas e inovação diante do limite orçamentário federal, enfrentou resistência do quadro técnico, que mostrou riscos à confidencialidade dos dados e à sobreposição de pesquisas.
Depois de críticas e da suspensão da iniciativa no início de 2025, a determinação do TCU selou o encerramento definitivo da fundação. A gestão do presidente Marcio Pochmann, empossado em agosto de 2023, enfrenta turbulências desde meados de 2024, com discussões intensificadas em torno da chamada “IBGE paralelo” e de outros projetos, como o Programa Nacional de Inteligência e Governança Estatística e Científica para Políticas Públicas Preditivas, alvo de receios quanto à mistura de estatísticas e previsões.
O documento ressalta que a credibilidade do IBGE impacta não apenas o próprio instituto, mas também a formulação de políticas públicas, o planejamento orçamentário, as relações federativas e a segurança jurídica nacional.
“Se a credibilidade do IBGE é tensionada, não se fragiliza apenas o Instituto”, afirmaram os servidores na carta, que conta com o respaldo do sindicato ASSIBGE e da DAPIBGE, entidade dos aposentados do IBGE. “Fragilizam-se também políticas públicas, decisões orçamentárias, relações federativas e a própria segurança jurídica do Estado brasileiro.”





