Nota divulgada pelo gabinete do relator do caso Master no STF alega que dividendos foram pagos em 2021, mas PF identificou no celular do banqueiro diálogos sobre repasses em dezembro de 2024
Toffoli passou a ser alvo de questionamentos depois da revelação de que uma empresa de sociedade anônima controlada por dois de seus irmãos, José Carlos e José Eugênio, a Maridt, foi sócia do hotel de luxo localizado em Ribeirão Claro (PR). A companhia vendeu em 2021 uma parcela de sua participação para um fundo controlado pelo empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro que também é investigado no inquérito do Master e chegou a ser preso pela PF.
Em nota divulgada nesta quinta-feira, o gabinete de Toffoli no STF admitiu pela primeira vez que o magistrado é sócio da Maridt. O comunicado alega que o ministro recebeu dividendos pela venda da cota para o Arleen, fundo que tem Zettel como único cotista, em 2021 – mas nega que ele tenha recebido qualquer pagamento de Daniel Vorcaro ou do cunhado dele.
No entanto, o relatório entregue pela PF a Fachin detalha diálogos entre o CEO do Master e Zettel sobre pagamentos a serem repassados para Toffoli são de dezembro de 2024, ou seja, três anos após a venda de parte das cotas para o fundo do cunhado de Vorcaro.
Nas conversas, Zettel pergunta ao banqueiro como deveria proceder em relação aos pagamentos para o ministro. O controlador do Master respondeu que preferia que os repasses se dessem por meio do Arleen.
Na nota, o gabinete de Toffoli sustenta ainda que a participação da Maridt no Tayaya já foi “integralmente encerrada” com a venda do restante das cotas a uma empresa chamada PHD Holding em 21 de fevereiro de 2025.
No entanto, o conteúdo do material entregue pelo diretor-geral da PF, Andrei Fernandes, a Fachin na última segunda-feira (9) deixa claro que a versão não para de pé.
A partir das informações contidas no relatório da Polícia Federal, Toffoli terá de explicar qual a natureza dos pagamentos discutidos por Vorcaro e Zettel no fim de 2024.
O material está sendo discutido pelo presidente do STF neste momento em uma reunião fechada entre os ministros da Corte com a presença de Toffoli.





