Vorcaro movimentou R$ 260 mi para comprar jatos à vista

Manobra é classificada por especialistas como atípica no mercado de aviação

A estratégia de aquisição de ativos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro foge aos padrões convencionais. Entre os anos de 2022 e 2024, o empresário desembolsou aproximadamente R$ 260 milhões para montar uma frota particular composta de três aeronaves de grande porte. Segundo apuração do jornal Folha de S.Paulo, os registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmam que todas as transações ocorreram sem a utilização de nenhuma modalidade de crédito ou alienação fiduciária.

A peça mais valiosa do acervo é um Gulfstream GV-SP, fabricado em 2010, cujo custo ao erário privado de Vorcaro atingiu R$ 120 milhões em junho de 2023. No ano anterior, o ex-banqueiro já havia incorporado um Falcon 2000 por pouco mais de R$ 21 milhões. A última movimentação ocorreu em agosto de 2024, logo que um Dassault Falcon 7X entrou para a lista de bens por cerca de R$ 117 milhões. Este último jato ganhou notoriedade ao ser retido pela Polícia Federal em novembro passado, momento em que o empresário tentava realizar um deslocamento oficial rumo ao Oriente Médio.

Prática atípica e suspeita de blindagem

Especialistas consultados pelo jornal paulista afirmam que o pagamento integral no ato da compra é uma exceção absoluta para veículos desse porte. O padrão do mercado executivo envolve o uso de leasing ou financiamentos internacionais, com taxas que variam entre 6% e 8% ao ano. Ouvido pela Folha, o professor da Universidade de São Paulo Carlos Portugal Gouvêa diz que a renúncia a juros historicamente baixos pode sinalizar motivações incomuns, como a tentativa de blindagem patrimonial.

Diferente de aviões de pequeno porte, que custam em torno de R$ 1 milhão e podem ser quitados imediatamente, jatos que ultrapassam a barreira dos R$ 20 milhões raramente saem das vendedoras sem um contrato de arrendamento mercantil. Além das questões financeiras, a compra direta por meio da empresa Viking — da qual Vorcaro é sócio — ignora benefícios contábeis, como a dedução de parcelas que evitariam a depreciação acelerada do patrimônio no balanço societário.

Bloqueio judicial e movimentações societárias

A frota de luxo encontra-se atualmente paralisada por determinação da Justiça. A ordem de restrição surgiu logo que o Banco Master enfrentou o processo de liquidação, em 2025. Dois meses antes de sua detenção, Vorcaro tentou se afastar da titularidade das aeronaves ao repassar 55% do capital da Viking para o FIP Stern, um fundo gerido pela Reag — instituição que também figura em investigações sobre manipulação de ativos ligados ao antigo banco.

Embora o empresário tenha buscado reestruturar sua participação na empresa dona dos aviões, o Poder Judiciário manteve o arresto dos bens. A Timbro Trading, responsável pela venda do Falcon 7X, procurou a Oeste e divulgou o seguinte posicionamento:

“A Timbro esclarece que adquiriu a aeronave junto ao exportador já tendo um comprador previamente definido, no caso, a empresa Viking. Nas operações de importação por encomenda de aeronaves, o pagamento à trading é realizado à vista, seja diretamente pelo cliente ou por um banco que posteriormente faz um arrendamento mercantil (financiamento) para o cliente final.”

Crédito Revista Oeste

compartilhe
Facebook
Twitter
LinkedIn
Reddit

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *