Relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira declarou à CNN que a CPI atual pode investigar as conexões do banco com os três poderes, especialmente o Judiciário
O relator da CPI do Crime Organizado no Senado Federal, Alessandro Vieira (MDB), afirmou em entrevista ao CNN 360° que a atuação do Banco Master apresenta características típicas de crime organizado. O senador destacou que a investigação sobre o banco já está em andamento na comissão parlamentar.
Segundo Vieira, um aspecto crucial a ser apurado é a suposta infiltração do Banco Master nos três poderes, especialmente no Judiciário. “Quando você olha para o caso Master, tem um aspecto dele que não é apurado, que é justamente a relação, a infiltração do Banco Master, dos seus coordenadores, nos trés poderes. Em especial, a infiltração do Poder Judiciário, aparentemente mediante pagamento de valores significativos a familiares de ministros”, declarou.
O senador mencionou especificamente pagamentos que teriam sido feitos a familiares de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo ele, há indícios de “transferência de patrimônio num valor que justifique essa circulação de dezenas de milhões de reais para familiares” e pagamentos de “até R$ 130 milhões para o escritório de advocacia” ligado a familiares dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Investigações em andamento
Alessandro Vieira explicou que a CPI do Crime Organizado já tem em seu plano de trabalho uma aba dedicada à lavagem de dinheiro e à atuação de escritórios de advocacia, mas que apoia outra CPI que venha a surgir, pois acredita que mais investigações ajudam no caso.
“A gente está antecipando diante da gravidade dos fatos e diante da inércia da PGR com relação a esse aspecto”, afirmou o senador, referindo-se à PGR (Procuradoria-Geral da República). Ele também criticou a atuação de Toffoli no caso, classificando-a como “absolutamente atípica” e “totalmente fora de qualquer parâmetro de atuação histórica do judiciário no acompanhamento de investigações”.
O relator defendeu ainda que os fatos precisam ser apurados “com muita seriedade, com muito cuidado, mas com celeridade e transparência”. Ele ressaltou que as pessoas precisam entender se houve alguma contraprestação que justificasse os pagamentos mencionados.





