Senador afirma que ministro do STF usa inquéritos para desequilibrar disputa presidencial e atingir adversários da direita
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, disse que o ministro Alexandre de Moraes vai buscar interferir no processo eleitoral de 2026 por meio de sua atuação no STF (Supremo Tribunal Federal). A declaração foi feita na 4ª feira, durante a sessão plenária do Senado, um dia depois de Moraes autorizar a abertura de inquérito para investigar o congressista por suspeita de calúnia contra o presidente Lula (PT), principal adversário de Flávio na disputa de outubro. O senador afirmou que a estratégia do ministro é clara.
Flávio declarou que Moraes tenta desequilibrar a disputa eleitoral. “Está muito claro qual é a estratégia. Já que agora Alexandre de Moraes não está mais no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ele vai querer desequilibrar as eleições lá do Supremo. […] Essa prática não dá para aceitar em outras eleições, agora em 2026”, disse Flávio.
O congressista afirmou que o ministro utilizará o inquérito das fake news durante as eleições. Segundo ele, a investigação mirará adversários políticos da direita. “Nós já vimos esse filme antes. Foi dada uma autorização para o ministro Alexandre de Moraes cometer uma série de atrocidades […]. A pretexto de defender a democracia, ele atropelou vários direitos e garantias individuais de parlamentares do espectro da direita”, disse Flávio.
O filho do ex-presidente afirmou ainda que o inquérito das fake news, “aberto há sete anos“, é um “malfadado inquérito que atrai tudo o que ele quiser e quem ele quiser”. Segundo Flávio, “isso vai ser recorrentemente usado durante as eleições deste ano para tentar me impedir de expressar o meu ponto de vista e falar a verdade sobre, inclusive, ele”.
Alcolumbre afirmou que vai deixar a Advocacia do Senado à disposição de Flávio, Vieira e dos demais senadores. O presidente da Casa disse que a estrutura jurídica vai “auxiliar em tudo o que for necessário”. Segundo ele, o apoio inclui a proposição de matérias “para defender a legitimidade do voto popular e as prerrogativas dos senadores”.
INQUÉRITO INVESTIGA PUBLICAÇÃO SOBRE LULA
Moraes autorizou a abertura do inquérito na 4ª feira para apurar uma publicação feita por Flávio em janeiro. Na ocasião, o senador comentou a captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditadores, eleições fraudadas”, escreveu Flávio.
A Polícia Federal avaliou que o senador atribuiu crimes falsamente ao presidente. A corporação solicitou a Moraes a abertura da investigação. A PGR (Procuradoria-Geral da República) concordou com a medida e afirmou ver indícios de que Flávio tenha cometido o crime de calúnia.





