Porta-voz do Departamento de Estado afirma que sanções serão direcionadas a pessoas e empresas que apoiem facções criminosas
A porta-voz em língua portuguesa do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Amanda Roberson, indicou que o Pix não está entre os alvos iniciais das medidas decorrentes da classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
Em entrevista concedida hoje (1º) para o Poder360, Amanda afirmou que a implementação das sanções será direcionada a pessoas e entidades que prestem apoio material às facções criminosas. Segundo ela, a responsabilização dependerá da comprovação de apoio intencional aos grupos.
“As designações agora vão entrar na fase de implementação. Impossível imaginar ou saber o que poderia acontecer com casos individuais, mas sabemos que o setor financeiro brasileiro é, de modo geral, bem sofisticado e compreende suas responsabilidades para cumprir com a legislação americana”, declarou.
A manifestação ocorre após integrantes do governo Lula levantarem a possibilidade de impactos sobre o sistema financeiro brasileiro e sobre o funcionamento do Pix em razão das novas sanções anunciadas por Washington.
Questionada sobre o tema, Amanda explicou que as medidas previstas pela legislação americana envolvem bloqueio de bens, restrições de vistos e punições para quem fornecer apoio material às organizações classificadas como terroristas.
“Qualquer pessoa ou entidade que intencionalmente preste apoio material a estes grupos deve ser responsabilizada. Agora, é responsabilidade do departamento do Tesouro, trabalhando com as autoridades brasileiras para implementar essas regras que são parte das designações”, afirmou.
A porta-voz também descartou a possibilidade de qualquer intervenção militar dos Estados Unidos em território brasileiro em razão da classificação das facções.
“A lei americana das designações é muito clara: não contempla nenhum tipo de ação militar. É o departamento de guerra que tem responsabilidade para ações militares no mundo. Essas designações têm como os seus princípios as suas consequências, restrições de vistos e também restrições financeiras para bloquear as atividades e o apoio aos grupos criminosos”, disse.
Segundo Amanda Roberson, PCC e CV integram uma lista de 17 organizações do hemisfério ocidental classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras.
Ela afirmou ainda que existem registros de atuação das duas facções em cerca de um quarto dos estados americanos, argumento utilizado por Washington para justificar a medida anunciada pelo secretário de Estado, Marco Rubio.
Ao comentar as críticas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à decisão americana, a porta-voz afirmou que “cada líder pode ter a sua opinião”.
Questionada sobre eventual influência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esteve recentemente nos Estados Unidos e se reuniu com autoridades americanas, Amanda disse que o presidente Donald Trump toma suas decisões de forma “independente”.
A representante do Departamento de Estado também afirmou que os Estados Unidos esperam ações mais firmes contra o PCC e o Comando Vermelho, mas ressaltou que cabe a cada país definir suas estratégias de combate ao crime organizado de acordo com sua própria legislação.
“Foi exatamente o que fizeram os EUA”, declarou.





