Em documento capitaneado por José Dirceu, partido sai em defesa do ex-ditador venezuelano
O Partido dos Trabalhadores (PT) fez duras críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e classificou como “sequestro” a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro. Tais posicionamentos integram plano de campanha para a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A elaboração do documento foi coordenada pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Nele, o partido cita a Constituição de 1988 para defender uma atuação internacional “baseada na diplomacia” e contrária a Trump.
“A luta pela paz não é neutralidade diante das injustiças, mas compromisso ativo com a soberania dos povos”, afirma a direção do PT, em trecho do documento. “Com o Direito Internacional e com a construção de uma ordem mundial baseada na cooperação, e não na força.”
PT chama Trump de “intervencionista”
Ao abordar a atuação dos Estados Unidos, o PT aponta o que chama de retomada de uma política intervencionista na região.
“A deposição e o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelas forças especiais norte-americanas mostram que a ofensiva imperialista não é um termo retórico”, afirmou a sigla. “Mas um ato concreto de violação do Direito internacional.”
O partido também menciona outras ações atribuídas aos EUA, como pressão econômica e diplomática sobre países latino-americanos. Segundo o texto, há “cerco e agressão” à Venezuela e continuidade do bloqueio a Cuba, classificado como “brutal e ilegal”. O PT, entretanto, não critica o Partido Comunista cubano, que controla a ilha caribenha desde 1959.
Por fim, o documento também critica o protecionismo e a condução da política externa norte-americana sob Trump. Para o partido, a estratégia dos EUA envolve “a tentativa de recompor a hegemonia por meio da coerção, da ruptura de acordos multilaterais e da instrumentalização de guerras comerciais e tecnológicas”.
As diretrizes integram o conjunto de propostas que o PT deve formalizar em congresso partidário, a partir da próxima sexta-feira, 24, e servirão de base para a formulação do programa de governo da legenda nas eleições presidenciais de 2026.





