É o maior patamar da série histórica, iniciada em 2015
O endividamento das famílias brasileiras atingiu 82,0% em julho, o maior nível da série histórica iniciada em 2015. Os dados foram divulgados na tarde desta quinta-feira (06) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)
O índice avançou 0,4 ponto percentual em relação aos 81,6% registrados em junho, refletindo o maior comprometimento da renda das famílias e seus impactos sobre o consumo.
O levantamento considera famílias com dívidas em cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e financiamentos de veículos e imóveis.
Apesar da alta no endividamento, o percentual de famílias que se consideram muito endividadas recuou de 17,2% para 17,1%. Já a parcela das que se classificam como pouco endividadas aumentou de 34,2% para 35,0%.
As contas em atraso também registraram leve queda, passando de 29,9% para 29,8%. Segundo o presidente da CNC, José Roberto Tadros, as renegociações têm contribuído para esse movimento. “Os números mostram que é preciso avançar em medidas que aliviem o bolso do trabalhador”, afirmou.
O tempo médio de atraso caiu pelo terceiro mês consecutivo e ficou em 64,6 dias, o menor patamar desde dezembro de 2025. A proporção de consumidores com dívidas vencidas há mais de 90 dias recuou para 48,5%, reduzindo a pressão dos juros sobre as famílias.
Ao mesmo tempo, aumentou o número de consumidores que destinam mais da metade da renda mensal ao pagamento de dívidas. O percentual subiu para 19%. Em média, as famílias endividadas comprometem 29,5% da renda com esses pagamentos.
O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, avaliou que a redução da taxa Selic pode aliviar esse cenário. “A decisão de reduzir os juros básicos tende a contribuir para a diminuição do custo das novas operações de crédito”, declarou.
Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, 84,9% possuem dívidas e 38,5% têm contas em atraso. Esse grupo também concentra o maior percentual de consumidores sem condições de quitar os débitos, índice que avançou para 17,8%.
Na faixa de renda acima de dez salários mínimos, o endividamento chegou a 72%. Em contrapartida, a parcela de consumidores com contas em atraso caiu para 15,1%.





