Liberação ocorreu depois de denúncia da senadora contra Alfredo Gaspar, pré-candidato a vice de Flávio
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva empenhou R$ 65,29 milhões em emendas parlamentares da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) em 2026, segundo dados do Siga Brasil e do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento. O valor representa 96,31% dos R$ 67,79 milhões empenhados para a parlamentar neste ano.
Do total previsto no Orçamento da União para as emendas de Soraya, de R$ 74,01 milhões, R$ 52,08 milhões já foram pagos. O empenho corresponde à reserva de recursos pelo Executivo para assegurar o pagamento de despesas indicadas pelos parlamentares.
A maior parte dos empenhos ocorreu no mesmo ano em que Soraya, ao lado do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), levou à Polícia Federal uma denúncia contra Alfredo Gaspar (PL-AL), então relator da CPMI do INSS. O parlamentar foi acusado de suposto estupro de vulnerável e tentativa de ocultação de fatos.
Denúncia contra Alfredo Gaspar ocorreu durante disputa na CPMI
Soraya e Lindbergh protocolaram o pedido de investigação em 27 de março, durante a apresentação do relatório final da CPMI pelo deputado. O documento de Gaspar pedia, entre outras medidas, o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República.
As acusações contra Gaspar foram usadas pela base governista para contestar a atuação do relator. Em 28 de março, a CPMI rejeitou o relatório, com voto da maioria dos integrantes contra o texto.
Um boletim de ocorrência registrado na Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados acrescentou outro elemento à disputa. O documento aponta para a suspeita de articulação destinada a fabricar uma acusação de estupro de vulnerável contra Gaspar.
Segundo o relato apresentado à Polícia Legislativa, a assessora de Gaspar, Marise Pena, recebeu em 14 de abril uma ligação de um homem identificado como Luiz Antonio Lopes. Ele teria afirmado conhecer uma suposta armação que envolve uma jovem que assumiria uma identidade falsa e receberia dinheiro para sustentar uma acusação de abuso sexual contra o deputado.
Lindbergh é citado no boletim como um dos nomes que estariam ligados à suposta trama. As acusações, contudo, são objeto de apuração e não estabelecem, por si só, responsabilidade criminal dos envolvidos.
Aproximação política entre Soraya e Lula
A relação entre Soraya e o governo Lula também se estreitou no campo eleitoral. Em julho, o PT convidou a senadora para integrar como primeira suplente uma chapa encabeçada pelo pré-candidato ao Senado Vander Loubet. Ela recusou a proposta.
A iniciativa provocou desconforto na Executiva Nacional do PSB e também contrariou o vice-presidente Geraldo Alckmin. Em 17 de julho, Soraya publicou uma fotografia ao lado de Lula e reafirmou sua intenção de disputar a reeleição ao Senado. “Se sou pré-candidata à reeleição? Nunca deixei de ser!”, escreveu ela no X.
Eleita em 2018 com apoio de Jair Bolsonaro (PL), Soraya rompeu politicamente com o ex-presidente durante a pandemia de covid-19. Em 2022, concorreu à Presidência pelo União Brasil. Desde 2023, integra a base de apoio ao governo Lula no Senado.
A movimentação ganhou novo contexto eleitoral com a escolha de Alfredo Gaspar como pré-candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O deputado alagoano passou a ocupar posição de destaque na oposição, enquanto Soraya consolidou sua aproximação com o grupo governista.





