Além dos responsáveis pela produção, portal que faz a distribuição da série já recebeu dinheiro público
A produtora Alessandra Orofino, responsável pelo podcast Calma Urgente, que produz a série de vídeos Revelando, integrou a equipe de transição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. Apresentado por personalidades como Fábio Porchat e Juliette, o projeto se descreve como “reportagens especiais sobre as histórias mais reveladoras do Brasil, explicadas de um jeito que nunca te contaram”.
A série Revelando é apresentada como uma iniciativa do Calma Urgente, em parceria com os portais ICL Notícias, Mídia Ninja e o movimento 342 Artes, e ganhou repercussão em setembro, com a publicação de um episódio apresentado por Porchat sobre as relações entre o Banco Master, a Igreja Batista da Lagoinha e políticos.
O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções, empresa de mídia fundada por Alessandra, que também atua como apresentadora. Em novembro de 2022, ela foi anunciada entre os nomes que coordenariam a área de Comunicação da equipe de transição do governo Lula.
Intitulado Grandes Igrejas, Master Negócios, o vídeo de Porchat na série Revelando aborda as conexões entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e o pastor André Valadão. A produção também examina relações empresariais e políticas mencionadas no contexto das investigações que envolvem o banco.
Em outubro, Juliette protagonizou outro episódio da série, intitulado A Guerra à Santa, que aborda relações entre Flávio Bolsonaro e o bispo JB Carvalho, conforme noticiado pela imprensa paraibana.
Apoiador da produção também recebeu dinheiro do governo Lula
O portal Mídia Ninja, uma das organizações que participam da distribuição dos vídeos, também já recebeu recursos públicos. Duas organizações não governamentais ligadas ao canal obtiveram R$ 4 milhões em recursos durante o governo Lula.
Desse total, R$ 1,6 milhão haviam sido recebidos desde 2023, enquanto outros R$ 2,4 milhões estavam previstos em incentivos e convênios assinados ou pré-acordados com os ministérios da Cultura e da Justiça. Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, as entidades são ligadas a fundadores do portal, que não tem personalidade jurídica própria.





