Segurança pública favoreceu o candidato no 3º bloco; participantes elogiaram sua clareza, mas reprovaram ataques pessoais
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) recebeu mais indicações de melhor desempenho no debate da TV Globo entre os participantes de uma pesquisa qualitativa da Alfa Inteligência. Divulgado neste sábado, 24, o estudo registrou 21 avaliações favoráveis ao candidato, ante 18 para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A segurança pública impulsionou a avaliação de Flávio no confronto de sexta-feira, 23. A defesa de penas mais duras e do combate às facções atraiu participantes que antes haviam criticado o candidato, inclusive no Nordeste.
O desempenho, porém, não definiu o voto da maioria. Depois do debate, o relatório contabilizou 19 registros de indecisão, 12 para Flávio e 10 para Lula. O levantamento esclarece, no entanto, que os números refletem as respostas dos grupos e não representam o eleitorado brasileiro.
Primeiro bloco
Flávio teve avaliação menos negativa que Lula entre participantes do Sul e do Sudeste. Suas falas sobre inflação, custo de vida, isenção de pedágios para motos e apoio ao microempreendedor encontraram identificação nesses grupos.
Os participantes das duas regiões, porém, reprovaram ambos pela falta de propostas claras e pelo desvio dos temas para acusações. Também cobraram explicações sobre o financiamento das medidas.
No Norte, Nordeste e Centro-Oeste, Lula recebeu avaliações mais favoráveis ao citar programas sociais e ações regionais. Parte dos participantes considerou vagas as promessas de Flávio e cobrou detalhes de suas realizações. Lula também recebeu críticas pelo foco no passado.
Segundo bloco
A proposta de expandir a Tabela SUS Paulista para todo o país rendeu elogios a Flávio. Participantes, sobretudo do Norte e do Centro-Oeste, consideraram a medida prática e positiva para o atendimento.
A discussão sobre a pandemia, porém, dividiu opiniões. Alguns aprovaram as cobranças de Lula sobre as mortes por Covid-19 e a falta de oxigênio em Manaus. Outros criticaram a insistência em Jair Bolsonaro e cobraram planos futuros.
No Nordeste, a referência de Flávio ao atendimento do pai na Santa Casa de Juiz de Fora gerou divergências. Um participante validou o argumento sobre a importância do SUS. Outra, por outro lado, lembrou a transferência para o Albert Einstein. No Sul e no Sudeste, parte do grupo preferiu a clareza de Flávio; outra valorizou a experiência de Lula.
Terceiro bloco
Flávio teve seu melhor momento no terceiro bloco. A maioria dos participantes o apontou como vencedor dessa etapa, sobretudo no Nordeste, Norte e Centro-Oeste. A defesa do fim das “saidinhas”, do trabalho prisional e de penas mais duras para facções teve boa recepção.
No Nordeste, o discurso contra o crime conquistou apoio até entre seus críticos. Também agradaram as propostas de formalização de trabalhadores, educação integral e uso da Caixa como “Banco da Prosperidade” para renegociar dívidas.
No Norte e no Centro-Oeste, participantes elogiaram as propostas de ensino técnico, contraturno e empreendedorismo, mas questionaram sua viabilidade. Lula preservou apoio ao citar o Pé-de-Meia, embora tenha recebido críticas pelos ataques recorrentes a Jair Bolsonaro.
No Sul e no Sudeste, participantes acusaram Flávio de divulgar desinformação sobre os auxílios ao Rio Grande do Sul. Sua defesa de um policial envolvido na morte de uma criança também gerou críticas. Parte dos ouvidos considerou apelativa a abordagem de Lula sobre a morte da menina Ana Clara.
Quarto bloco
O bloco de tema livre recebeu a pior avaliação dos eleitores. Os participantes reprovaram de forma unânime as acusações e classificaram os oito minutos finais como uma “lavagem de roupa suja”.
Flávio foi criticado pelas acusações sobre o patrimônio de Lula e de seus familiares e pelas referências à vida pessoal do adversário. Os grupos consideraram as falas desrespeitosas e superficiais.
Lula recebeu críticas por insistir em associações pessoais de Flávio, com menções ao Banco Master, a lanchas e à chamada “ilha do Richarlison”. Para os participantes, os ataques ofuscaram as propostas e reforçaram a indecisão ou a intenção de anular o voto.
Conclusão da pesquisa sobre o debate
A segurança foi o principal motivo entre os participantes que passaram a indicar voto em Flávio. O tema funcionou como desempate, sem gerar entusiasmo. Os programas sociais motivaram os que escolheram Lula.
O estudo apontou clareza e objetividade como qualidades de Flávio. Dúvidas sobre seu histórico e o de sua família, porém, limitaram sua aceitação. Os grupos cobraram soluções detalhadas para custo de vida, saúde, violência e dívidas.
A Alfa informou ter organizado seis grupos, com oito a dez participantes cada, entre eleitores indecisos de 30 a 50 anos, da classe C. O levantamento incluiu as cinco regiões e um grupo de controle nacional. A pesquisa qualitativa identifica percepções, sem estimar a intenção de voto da população.





