Armínio Fraga é indagado se voto em Lula causou arrependimento

Economista afirmou que voto em 2022 não teve motivações econômicas e disse que tinha “sérias preocupações” com a democracia

O economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central durante o governo Fernando Henrique Cardoso, declarou que não se arrepende de ter votado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022. Ao justificar sua decisão, Fraga afirmou que, na época do último pleito, tinha “sérias preocupações” com o futuro da democracia brasileira.

– Meu voto não foi um voto econômico. Naquele momento, eu tinha sérias preocupações com o futuro da nossa democracia. Eu acredito na democracia, na liberdade, e os sinais estavam sendo dados e isso para mim é intolerável. Então, não foi um voto econômico (…). Não me arrependo nem um pouco, não [de ter votado em Lula] – disse.

Apesar de manter a posição sobre o voto, o economista fez um alerta sobre o cenário econômico do país e afirmou que há sinais de desaceleração da atividade. Segundo Fraga, alguns indicadores apontam para uma possível perda de ritmo da economia.

– Olhando pra frente, já há sinais de que a economia começa a desacelerar, o quadro do crédito no Brasil já dá, o que eu considero, um sinal forte. Eu não vejo isso sendo corrigido durante esse período de campanha (…). O discurso, por enquanto, não aponta para uma posição reconfortante – disse.

Para Armínio Fraga, ainda há tempo para evitar um cenário de maior deterioração econômica, desde que sejam implementadas reformas estruturais, mas que a grande problemática é que não há sinais de que isso esteja acontecendo.

– Para colocar esse país nos trilhos, com juros mais normais, com crescimento sustentado, vai ser preciso mudanças importantes nos rumos da política econômica, de natureza mais até, eu diria estrutural, previdências, reforma do Estado, questões ligadas aos regimes de Imposto de Renda. Tem vários espaços para se trabalhar. A má notícia é que isso não tá acontecendo – completou.

Crédito Pleno.News

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