A prisão da influenciadora Deolane Bezerra, em Barueri (SP), por associação com a facção criminosa PCC e lavagem de dinheiro, fez ressurgir nas redes sociais imagens em que ela aparece ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Convidada para a posse do presidente em janeiro de 2023, Deolane já havia gravado um vídeo descontraído no qual Lula repetia o bordão “O pai tá estourado”, popularizado por ela. A viralização dessas postagens ocorre no momento em que o governo tenta reforçar o discurso de combate ao crime organizado.
A oposição aproveitou para apontar incoerência de Lula ao cultivar relações com personalidade alvo de graves investigações criminais. A influenciadora voltou a ser presa na manhã de quinta-feira (21), em uma operação que apura um esquema complexo de ocultação de recursos do PCC.
Segundo investigações da Polícia Civil de São Paulo conduzidas pelo Ministério Público do Estado (MPSP), Deolane participou de movimentações patrimoniais incompatíveis com renda declarada e manteve vínculos empresariais com agentes da facção criminosa. A defesa nega tudo.
Influencidora fez vídeos e fotos com Lula e Janja na campanha de 2022
A relação pública entre Deolane e Lula ganhou notoriedade na última campanha eleitoral, quando ela declarou apoio ao petista nas redes sociais e se reuniu com Lula e a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja. Fotos dos três circularam e chegaram a ser publicadas pelo próprio Lula e por Janja.
O encontro presencial com o então candidato do PT ocorreu em abril de 2022, na capital paulista, com fotos de Ricardo Stuckert, fotógrafo do petista. Deolane já havia manifestado admiração por Lula em entrevistas e podcasts. Numa delas, disse ser “fã de Lula” e criticou seu rival Jair Bolsonaro (PL).
A aproximação com Lula prosseguiu após a eleição. Em 1º de janeiro de 2023, a influenciadora participou da posse presidencial em Brasília. Convidada pela equipe do governo recém-eleito, ela compareceu vestida de vermelho e publicou mensagens de apoio ao terceiro mandato do petista.
Desde sua prisão em 2024 por suspeitas ligadas a jogos ilegais e lavagem de dinheiro — e novamente em 2026 em operação que investiga ligação com o PCC — a oposição resgata fotos e vídeos dela ao lado de Lula e Janja, visando explorar a intimidade do governo e a advogada e influenciadora.
Deolane tinha relações com a família de Marcola, do PCC, desde 2022
Investigações da Operação Vérnix, conduzidas pelo MPSP e Polícia Civil, apontam estreita ligação entre a influenciadora Deolane Bezerra e a família de Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC, no período de 2022 e 2024, justamente quando a relação dela com Lula decolou.
O esquema envolvia a lavagem de dinheiro por meio da transportadora Lado a Lado, com Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, atuando como intermediária e Everton de Souza, o Player, gerindo o fluxo financeiro para contas de Deolane. Paloma é filha de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, irmão de Marcola, também investigado por ligação com a facção.
A defesa da influenciadora nega as acusações, sustentando que os valores movimentados são fruto de honorários advocatícios lícitos.
A advogada Daniele Bezerra, irmã de Deolane, afirmou nas redes sociais que a prisão preventiva da influenciadora seria resultado de “perseguição” por ser apoiadora de Lula e da tentativa de transformar “ilações em verdades”.
Ela criticou o uso da prisão como instrumento de “pressão, marketing ou vingança social”, alegando que Deolane foi condenada publicamente antes do devido processo legal.





