Brasil é o país com maior aumento de tarifas dos EUA desde volta de Trump

Brasil superou Coreia do Sul, Tailândia, Japão e China no aumento das tarifas americanas

O Brasil será o país que registrou o maior aumento das tarifas efetivas de importação dos EUA desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, na comparação com os 30 países que mais exportam para o mercado americano. O avanço ocorre após o anúncio de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros feito ontem (15) pelo governo dos EUA.

Os dados, divulgados hoje (16), são da iniciativa Global Trade Alert (GTA), que reúne informações sobre comércio global compiladas pelo St. Gallen Endowment, centro de estudos independente sediado na Suíça. O levantamento já considera o novo anúncio feito pela Casa Branca.

Quando Joe Biden deixou a Presidência, em janeiro de 2025, a tarifa efetiva média dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros era de 1,19%. Atualmente, a taxa está em 11,66% e, com a entrada em vigor das novas medidas no fim deste mês, chegará a 14,42%, um aumento de mais de 13 pontos percentuais.

Nenhum outro país teve uma elevação tão expressiva das tarifas no período. Apesar de outras nações também terem registrado aumentos, os impactos foram menores: as tarifas efetivas de importação subiram 9,57 pontos percentuais para produtos da Coreia do Sul, 8,39 para a Tailândia, 7,7 para o Japão e 7,48 pontos para a China.

Com a nova tarifa, o Brasil ultrapassará 11 países no ranking dos mais tarifados pelos Estados Unidos: Turquia, Indonésia, Vietnã, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Índia, Áustria, Suécia e Itália.

O levantamento do GTA, compilado com exclusividade a pedido da BBC News Brasil, considera apenas as tarifas efetivas, ou seja, aquelas realmente aplicadas sobre os produtos, e não as tarifas nominais, previstas na legislação e anunciadas pelo governo americano. A diferença ocorre porque os EUA mantêm exceções para determinados produtos brasileiros, que não estão sujeitos às mesmas alíquotas.

Segundo o GTA, apenas um quarto dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos estará sujeito à tarifa máxima de 25%. Considerando os valores de 2024, dos US$ 39,6 bilhões exportados pelo Brasil para o mercado americano, cerca de US$ 8,5 bilhões serão atingidos pela alíquota máxima.

A tarifa nominal anunciada pela Casa Branca é de 25%, mas, na prática, considerando os mais de 2 mil produtos que têm isenção ou alíquotas reduzidas, a tarifa efetiva média será de 14,42%, segundo o cálculo do GTA.

Com a nova medida, os produtos brasileiros terão uma tarifa efetiva média inferior apenas à aplicada aos produtos chineses. A taxa média para importações da China pelos Estados Unidos chegará a 21,5% no fim deste mês.

Antes do anúncio de quarta (15), o Brasil ocupava a 13ª posição entre os países com maior tarifa efetiva média aplicada pelos Estados Unidos.

Crédito Cláudio Dantas

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