Caso Master expõe relatos de pressão sobre auditores do TCU

Área técnica relata interferências durante apuração sobre atuação do Banco Central

Auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) relatam pressão durante a apuração sobre a liquidação do Banco Master. Segundo servidores envolvidos no trabalho, há tentativas de interferência na análise técnica que avalia a atuação do Banco Central (BC) no caso. A apuração é do jornal O Estado de S. Paulo.

Os relatos apontam para o ministro Jhonatan de Jesus, relator do processo na Corte. O desconforto surgiu com um relatório preliminar que não identificou falhas do Banco Central na condução da liquidação da instituição controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o jornal, o documento também indicou que não cabe ao TCU rever ou anular a decisão da autoridade monetária.

Ambiente de tensão no Caso Master

Segundo auditores ouvidos pelo Estadão, o ambiente entre a Audbancos, unidade técnica responsável pela diligência, e o gabinete do relator se deteriorou. O caso passou a dominar conversas internas e grupos fechados de mensagens entre servidores de diferentes áreas do tribunal.

Há relatos de compartilhamento de comentários e notícias em modo de visualização temporária, recurso que apaga o conteúdo logo depois da leitura. Para técnicos, essa prática indica receio de exposição e reforça a percepção de pressão no processo.

As informações chegaram ao Banco Central e ampliaram a atenção sobre os desdobramentos do caso. Técnicos do BC e do TCU avaliam que os auditores têm estabilidade funcional e seguem aptos a concluir o trabalho. A preocupação, segundo servidores, está concentrada na decisão do relator, que pode divergir das conclusões técnicas.

Decisões, recuos e riscos institucionais

Entre integrantes do tribunal, há a avaliação de que o custo institucional de contrariar a área técnica seria elevado, diante da visibilidade do episódio. Mesmo assim, o clima de desconfiança permanece.

O relator recuou de uma inspeção no Banco Central e autorizou apenas uma diligência, com escopo mais limitado. Em outro momento, indicou a possibilidade de impedir a venda de bens de Daniel Vorcaro. Essas iniciativas reforçaram, entre os auditores, a percepção de interferência.

Técnicos das duas instituições avaliam que se enfraqueceu o risco de o TCU tentar anular a liquidação do Banco Master. Ainda assim, o processo segue sob observação. Conforme revelou o Estadão, Vorcaro avalia questionar a liquidação na Justiça e discutir eventual indenização contra a União. Ele também analisou mudanças no regime de liquidação e ações contra servidores que atuaram no caso.

Especialistas citados pelo jornal questionam a atuação do TCU. Eles lembram que decisões anteriores da própria Corte e um despacho do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2019, afastam a revisão de mérito de atos do Banco Central quando há exercício de poder de polícia.

Na semana passada, o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, se reuniu com representantes do Banco Central. Ele classificou o BC como “o fiscal de primeira ordem” e o tribunal como “o fiscal de segunda ordem” no processo. Também afirmou que a liquidação é atribuição do Banco Central, com possibilidade de responsabilização de dirigentes em outras frentes.

Crédito Revista Oeste

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