Valor supera projeções do mercado e pode ultrapassar o calote da Grécia em 2012
A dívida total da Venezuela pode chegar a US$ 240 bilhões, segundo divulgação do jornal britânico Financial Times nesta 4ª feira. O valor é bem superior às projeções do mercado, que estimavam um passivo entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões, de acordo com fontes familiarizadas com os planos do governo venezuelano.
O montante, a ser divulgado oficialmente ao longo das próximas semanas, colocaria a Venezuela no centro da maior reestruturação soberana da história e poderia superar o calote grego de US$ 200 bilhões registrado em 2012, durante a crise da zona do euro. A relação dívida/PIB do país ficaria acima de 200%, segundo as mesmas fontes.
O banco de investimento norte-americano Centerview Partners, contratado por Caracas como assessor financeiro, elaborou um plano para devolver a dívida venezuelana a uma trajetória sustentável. De acordo com o jornal britânico, o documento deve ser publicado no início de julho.
Ainda neste mês, o governo venezuelano vai divulgar uma projeção macroeconômica que estima o tamanho da economia do país em cerca de US$ 100 bilhões. O valor representa uma queda expressiva em relação aos US$ 370 bilhões registrados em 2012, último ano no poder do ex-presidente Hugo Chávez.
À frente do processo de reestruturação está Delcy Rodríguez, líder interina da Venezuela. Ela tem como meta fechar um acordo com os credores ainda em 2026, o que abriria caminho para o retorno do país aos mercados internacionais. Caracas está afastada desses mercados há quase uma década, período que coincide com o governo de Nicolás Maduro, deposto depois de uma operação militar norte-americana em janeiro de 2026.
DÍVIDA VENEZUELANA
A dívida venezuelana é composta por camadas distintas. Os títulos do governo e da Petróleos de Venezuela representam a parcela mais volumosa e verificada, somando cerca de US$ 60 bilhões em principal, acrescidos de aproximadamente US$ 40 bilhões em juros não pagos desde o calote. Esse montante cresce US$ 5 bilhões por ano.
Estimativas de investidores apontam que a Venezuela também deve entre US$ 30 bilhões e US$ 50 bilhões a empresas petrolíferas e credores comerciais por faturas não pagas, além de mais de US$ 20 bilhões em indenizações judiciais concedidas a companhias que tiveram propriedades expropriadas durante o governo Chávez.
De acordo com o jornal, a China é credora de entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões, dívida que Caracas pagava com exportações de petróleo e deixou de honrar. Outros US$ 6 bilhões são devidos à Rússia e US$ 4 bilhões a bancos de desenvolvimento.





