Governo Lula critica postura da Argentina em reunião sobre direitos humanos

Governo Lula critica postura da Argentina em reunião sobre direitos humanos

Ministério dos Direitos Humanos do Brasil relatou insatisfação com a gestão do país vizinho em encontro do Mercosul

O Ministério dos Direitos Humanos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, liderado por Macaé Evaristo, expressou insatisfação com a postura da delegação da Argentina durante a 45ª Reunião de Altas Autoridades Sobre Direitos Humanos do Mercosul, realizada em outubro de 2025.

O relatório da pasta, referente ao segundo semestre de 2025, deu destaque ao fato de que representantes do governo de Javier Milei se posicionaram contra a gravação dos encontros. Também foram contrários à presença de entidades da sociedade civil em discussões da Comissão Permanente de Promoção e Proteção dos Direitos de Pessoas com Deficiência.

No entendimento do órgão brasileiro, a resistência argentina à participação de grupos civis afetou de modo negativo o envolvimento desses setores nas reuniões. O informe oficial, de 23 de dezembro, ressaltou ainda que as demais delegações não questionaram a presença da sociedade civil, tampouco apoiaram a solicitação argentina.

“Ressalta-se que as outras delegações dos países presentes na reunião não questionaram a participação da sociedade civil”, escreveu oficialmente o Ministério dos Direitos Humanos brasileiro. “Também não manifestaram concordância com a solicitação da delegação argentina, incluindo o Brasil.”

Dificuldades no trabalho, e atritos entre Lula e Milei

Com o objetivo de garantir o avanço das discussões e a continuidade dos trabalhos, os integrantes do bloco chegaram a um acordo para permitir a participação da sociedade civil apenas em um item específico previsto na agenda, ao final da reunião.

No exercício da Presidência do Mercosul no segundo semestre do ano passado, o Brasil também relatou dificuldades durante o comando argentino na primeira metade do ano.

Segundo o relatório, a Reunião de Altas Autoridades não ocorreu formalmente no primeiro semestre. Encontros em maio teriam acontecido de modo repentino, com mudanças nas metodologias e na condução das comissões e grupos de trabalho. Ainda de acordo com o ministério, essas agendas ocorreram unilateralmente e sem incluir representantes da sociedade civil.

Os atritos entre os governos de Lula e Javier Milei no Mercosul sobre direitos humanos não são recentes. Nos anos recentes, a Argentina promoveu ações que, para o Brasil, enfraqueceram o Instituto de Políticas Públicas e Direitos Humanos (IPPDH), órgão vinculado ao bloco.

Crédito Revista Oeste

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