Lula descobriu que a sua associação com o STF lhe causa dano eleitoral e agora tenta se desvencilhar do fardo de maneira patética
Lula descobriu que a sua associação política com o STF lhe causa um tremendo dano eleitoral, como se viu no primeiro turno, e agora tenta se desvencilhar do fardo.
Ontem, ele disse o seguinte:
“Só tem um candidato que é antissistema, e somos nós, não tem outro candidato. E estamos carregando nas costas uma coisa muito grave que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois dessas denúncias.”
É uma frase ridiculamente mentirosa. Não há ninguém mais “sistema” do que Lula e o seu partido. Por sistema, entenda-se o estatismo, o patrimonialismo, o clientelismo, o assistencialismo, a corrupção.
Quanto à promiscuidade de ministros do STF, contra a qual o chefão petista nunca se indignou de verdade, quem a carrega nas costas é a sociedade, que não pode contar com um tribunal imparcial, justo, apolítico e honesto.
Lula deve a sua liberdade e a sua volta ao Palácio do Planalto aos juízes que atuam em causa própria, sujando a democracia brasileira com a sua libertinagem, e dos quais agora tenta se distanciar de maneira patética.
É credor também das canetadas do STF no enfrentamento ao Congresso durante o seu terceiro mandato.
Refém e cúmplice do tribunal, para o qual indicou camaradas como o seu ex-ministro da Justiça e o seu ex-advogado criminal, o chefão petista contou com a colaboração recente de Alexandre de Moraes e de Cristiano Zanin para reaproximá-lo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em busca da aprovação de pautas eleitoreiras.
Lula também teve o aval de Gilmar Mendes para promover o reajuste do valor pago pelo Bolsa Família durante a campanha eleitoral, um evidente abuso que visa a comprar votos de gente pobre.
Pouco antes da realização do primeiro turno, Flávio Dino usurpou o papel de ministros de TSE para permitir que a mentira sobre Nossa Senhora Aparecida continuasse a circular impunemente a fim de prejudicar Flávio Bolsonaro e beneficiar o chefão petista.
Por fim, para ajudar Lula e lesar o filho de Jair Bolsonaro, Gilmar e uma criatura de Dino se uniram para fazer a lambança que resultou no cancelamento do debate de candidatos na Rede Globo.
A reeleição de Lula vinha sendo considerada vital para a manutenção do poder dos políticos do STF. Depois da eleição para o Senado de uma bancada que lhes é francamente hostil e que teve como promessa de campanha abrir processos de impeachment contra togados, talvez o cálculo tenha começado a ser refeito no Supremo.
Se Lula for reeleito, será inviável para o chefão petista governar com uma Câmara e um Senado ainda mais oposicionistas do que na legislatura anterior.
Ele teria de contar, mais uma vez, com a interferência política do STF, mas o risco da fricção com deputados e senadores agora seria muito maior para os seus ministros, uma vez que a pauta do impeachment e da reforma do Judiciário, que lhes retiraria atribuições, deixaram de ser sonho em noite de verão.
Cabeças promíscuas devem estar refletindo sobre como, diante do novo contexto no Congresso, talvez seja menos inconveniente suportar Flávio Bolsonaro do que sustentar Lula, mesmo que um ministro tenha de ser sacrificado para dar alguma satisfação à sociedade, o que parece inevitável de qualquer jeito.





