Ministério Público do TCU pede bloqueio de bens do PL por envolvimento em tentativa de “golpe”

Ministério Público do TCU pede bloqueio de bens do PL por envolvimento em tentativa de “golpe”

Promotoria da Corte de Contas pede o bloqueio cautelar de R$ 27,2 milhões do PL por suposto envolvimento no caso.

Nesta terça (19), o Ministério Público que atua junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) solicitou a responsabilização do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, pela suposta tentativa de golpe de Estado indicada pelas investigações da Polícia Federal. O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado propôs incluir o partido como réu na ação civil pública que exige a condenação dos supostos financiadores dos eventos de 8 de janeiro em R$ 100 milhões, a título de indenização por dano moral coletivo.

Iniciaram a ação contra 54 indivíduos, três empresas, uma associação e um sindicato, já citados em outra ação pela União, visando a recuperação dos danos materiais infligidos aos edifícios. O MPTCU pede uma medida cautelar para bloquear R$ 27,2 milhões em bens do PL, valor estimado do prejuízo causado na depredação das sedes dos Três Poderes.

Da Petição do MPTCU

Na petição a que a Gazeta do Povo teve acesso, Furtado argumenta que o PL se envolveu nos atos com base nas informações apuradas durante a investigação que deflagrou as operações Lesa Pátria, relativa aos supostos financiadores e participantes do 8 de janeiro, e Tempus Veritatis, da suposta tentativa de golpe de Estado por parte de Bolsonaro, ex-ministros, ex-assessores, militares e aliados.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, negou em depoimento à Polícia Federal que tenha participado de qualquer reunião com a intenção de se tentar um “golpe” de Estado no país.

Furtado afirma que houve “flagrante desvio de finalidade do PL, com a utilização de recursos públicos do Fundo Partidário, para apoiar os atos preparatórios da trama golpista investigada no âmbito da Operação Tempus Veritatis” como o uso de recursos e da estrutura do partido “para reuniões de caráter golpista, uso de pessoal e apoio material na elaboração de minutas de atos ilegais e ilegítimos”.

“Verificando-se que a estrutura de um partido político foi utilizada para operacionalizar financeiramente o cometimento de supostos crimes, consistentes em associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, está-se diante, por mais aberrante que isso possa ser, da destinação de recursos públicos, geridos pelo Partido Liberal, para o cometimento de eventuais ilícitos penais”, escreveu Furtado na ação.

O TCU foi acionado para investigar as irregularidades e zelar pelo “bom uso do dinheiro público”, considerando que o partido recebe financiamento do Orçamento da União por meio do fundo partidário. A Corte, afirma, é responsável por tomar providências para o ressarcimento dos cofres públicos e a responsabilização dos envolvidos.

O subprocurador sugere duas possibilidades de atuação do TCU em relação à utilização indevida dos recursos do fundo: apurar os gastos ilegais da legenda e os prejuízos contabilizados decorrentes dos atos de vandalismo contra as sedes dos Três Poderes.

Também encaminharam a representação à Polícia Federal, à Advocacia-Geral da União (AGU), à Procuradoria-Geral da República (PGR), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

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