Oposição reage à suspensão de deputados e fala em “perseguição política” na Câmara

A decisão do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados de suspender por dois meses os mandatos de Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC) provocou reação imediata de parlamentares de oposição, que classificaram a medida como desproporcional e politicamente motivada. 

O pré-candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a punição “abre um grave precedente contra a liberdade de expressão e o pleno exercício do mandato parlamentar”.  “Não dá para ignorar que episódios semelhantes já aconteceram anteriormente no Congresso, inclusive protagonizados pela esquerda, sem qualquer punição nessa mesma dimensão”, ponderou ele. 

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou a suspensão como seletiva. “Quando é contra a direita, a punição vem rápida e pesada. Quando é do outro lado, tudo é relativizado”, afirmou. 

O líder da oposição, Carlos Jordy (PL-RJ), disse que o caso abre um precedente perigoso. “Hoje são eles, amanhã pode ser qualquer deputado que desagrade a maioria. Isso é um recado claro de intimidação”, declarou. 

Já o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ) criticou o que chamou de uso político do Conselho de Ética. “Transformaram um órgão técnico em instrumento de perseguição”, disse. 

O deputado Sargento Gonçalves (PL-RN) comparou o processo a uma tentativa de criminalizar a direita por atos que a esquerda já teria praticado no passado. Gonçalves questionou a escolha de apenas três deputados como “bode expiatório” em meio à participação de mais de 100 deputados nos atos de ocupação. 

A decisão sobre a suspensão dos deputados teve como base a participação dos três deputados na ocupação da Mesa Diretora da Casa, em agosto de 2025 — episódio que interrompeu os trabalhos legislativos por cerca de 30 horas. 

Os parlamentares ainda podem recorrer à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) para reverter a suspensão. A decisão final será do Plenário por maioria absoluta, ou seja, 257 deputados.

Deputados suspensos criticam decisão e falam em perseguição 

Alvo da punição, Marcel van Hattem afirmou que a decisão representa um ataque à liberdade de atuação parlamentar. “Estão tentando criminalizar a oposição. Isso aqui não é sobre quebra de decoro, é sobre calar quem pensa diferente”, declarou. 

Na mesma linha, Marcos Pollon disse que a suspensão tem caráter político. “Querem silenciar deputados que enfrentam o sistema. Não cometi crime, exerci meu mandato”, afirmou. 

Já Zé Trovão sustentou que a punição é desproporcional. “Não estamos sendo julgados por corrupção, por desvio de dinheiro, mas por um ato político. Isso é perseguição”, disse. 

Sessão foi marcada por tensão 

A votação ocorreu em meio a um ambiente de forte tensão, com discussões acaloradas e troca de acusações entre governistas e oposicionistas ao longo de mais de oito horas de sessão. 

Durante os debates, parlamentares aliados ao governo defenderam a punição como necessária para preservar a ordem institucional da Câmara e evitar novos episódios de obstrução física dos trabalhos legislativos. 

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) relacionou a ocupação física do Plenário a um “processo histórico de golpismo”. Para ele, o relatório do conselho separa “os golpistas dos democratas”. 

Crédito Gazeta do Povo

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