Empresas do grupo dos irmãos Joesley e Wesley Batista transferiram R$ 11,5 milhões a um escritório de advocacia em Goiânia, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento indica incompatibilidade entre os valores movimentados e o histórico financeiro da empresa.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, que divulgou as informações nesta segunda-feira, 27, o escritório pertence à advogada Maísa de Maio Marciano e registrava faturamento mensal de cerca de R$ 9 mil.
O endereço informado corresponde a uma sala compartilhada no Setor Sul, na capital goiana, onde há oferta de serviços como locação de espaço e endereço fiscal.
O alerta partiu de uma agência do Sicoob, em fevereiro de 2024, com base nas movimentações da conta da advogada. O relatório afirma que não houve apresentação de documentos que justificassem as transações e classificou o caso como de “alto risco para lavagem de dinheiro”.
A JBS transferiu R$ 8 milhões em 15 de dezembro de 2023. Três dias depois, a J&F Investimentos repassou outros R$ 3,5 milhões. No mesmo dia, a advogada transferiu R$ 3,5 milhões ao advogado e empresário Paulo Humberto Barbosa, conforme o Estadão.
Repasses incluem empresa investigada pela Polícia Federal
No dia do recebimento da JBS, o escritório também transferiu R$ 6,9 milhões ao BK Bank. O Coaf identificou a empresa como destinatária dos recursos.
“Todas as transações processadas por meio de sua plataforma são devidamente identificadas e registradas nas contas individualizadas dos clientes, com origem e destino dos recursos, garantindo elevados padrões de transparência e rastreabilidade”, declarou o BK.
A fintech já apareceu em investigações da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo por suspeitas de uso de contas que dificultariam o rastreamento financeiro e de ligação com esquemas do Primeiro Comando da Capital.
Barbosa comprou participação de Toffoli em empreendimento
Paulo Humberto Barbosa ganhou destaque por adquirir, em 2025, a participação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no Tayayá Resort. Ele também comprou a parte de outro sócio do empreendimento meses depois.
Em 20 de dezembro de 2023, o ministro suspendeu multa de R$ 10,3 bilhões aplicada à J&F em acordo com o Ministério Público Federal. A defesa da empresa alegou irregularidades no processo.
JBS e J&F afirmaram que os pagamentos correspondem a “serviços jurídicos prestados e comprovados”, com emissão de nota fiscal e recolhimento de tributos. No entanto, as empresas não detalharam quais serviços foram contratados nem esclareceram a destinação final dos valores.
Histórico e capacidade financeira do escritório
O relatório do Coaf revela que o escritório foi aberto em 2018 com capital social de R$ 2 mil. Até junho de 2022, registrava faturamento mensal de pouco mais de R$ 9 mil e patrimônio líquido de cerca de R$ 83 mil.
Levantamentos mostram atuação limitada da advogada em processos judiciais. De acordo com o Estadão, a maioria das ações envolve disputas sobre imóveis e honorários de baixo valor.
Outras transações do grupo já apareceram em investigações recentes. Em 2025, a J&F transferiu R$ 25,9 milhões a uma empresa ligada a Barbosa. Em outro caso, a JBS pagou R$ 11,3 milhões a uma consultoria que também recebeu recursos de instituição financeira.
O Estadão ainda identificou pagamento de R$ 25 milhões da J&F ao escritório do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, em contexto relacionado a decreto que beneficiou empresa do grupo.





