Expectativa é que o Comitê de Política Monetária (Copom) aumente em 1 ponto percentual a taxa de juros (Selic) na segunda reunião do ano
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decide, nesta semana, a próxima taxa básica de juros do país, a Selic, que ficará vigente por 45 dias. A expectativa é de nova alta nos juros, previamente contratada pelo comitê na última reunião.
A segunda do Copom deste ano está marcada para terça-feira (18/3) e quarta-feira (19/3). A decisão final será comunicada após o fim do segundo dia de deliberações da diretoria do BC.
Na ata anterior, de janeiro, o colegiado indicou que, caso o cenário de avanço dos preços perdurasse, seria necessário fazer ajuste de pelo menos 1 ponto percentual. Dessa forma, os juros passarão dos atuais 13,25% ao ano para 14,25% ao ano — mesmo patamar de julho de 2015, época da crise no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
No entanto, o BC não sinalizou um fim do ciclo de altas. Segundo o Copom, a magnitude do ciclo de aperto monetário será ditada pelo compromisso de convergência da inflação à meta e dependerá da evolução da dinâmica da inflação.
A condução da política monetária tem sido alvo de críticas de membros do governo. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, considerou a estratégia de subir os juros uma “imbecilidade”.
“É uma imbecilidade. Nós precisamos estimular o crescimento da economia, produzir mais para controlar a inflação. Não é inibir. Se a gente inibir crédito e aumentar juros, você inibe investimento. Se você inibe investimento, você está inibindo ter mais produção para ter mais produto na prateleira para controlar a inflação pela oferta”, argumentou.
Ao elevar a Selic para conter a inflação, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país. O crédito fica mais caro, e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para os consumidores e produtores.
Para Pedro Ros, CEO da Referência Capital, a política fiscal e as restrições de crédito tornaram o “cenário desafiador” tanto para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto para o Banco Central.
“Para este ano, esperamos um crescimento mais moderado, exigindo que empresas se adaptem às novas tendências e aos desafios econômicos”, explicou Ros.