A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) anunciou a venda de assinaturas mensais de R$ 50 para uma comunidade virtual com conteúdos exclusivos. Em vídeo publicado nas redes sociais pelo filho, ela pediu ajuda financeira a apoiadores para conseguir se manter na Itália enquanto tenta obter uma oportunidade de trabalho e regularizar sua situação financeira.
Zambelli responsabilizou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pelas dificuldades financeiras. Segundo ela, além de bloquear seus recursos, o magistrado impôs restrições que a impedem de abrir uma conta bancária em qualquer país.
“Moraes destruiu a minha vida porque, além de ter bloqueado tudo meu, ele também me impediu de abrir conta corrente em qualquer lugar do mundo”, afirmou.
A ex-deputada disse que uma comunicação financeira à Interpol faz com que instituições bancárias a associem a um possível roubo a banco.
“Ele colocou na Interpol aviso financeiro que dá a entender que eu roubei um banco. Então nenhum banco do mundo, seja digital ou daqui da Itália, quer abrir uma conta para mim”, declarou.
Segundo Zambelli, a falta de uma conta bancária também impede que ela consiga trabalhar na Itália. Ela afirmou que os empregadores precisam depositar os salários em uma conta de titularidade do trabalhador.
“Na Itália, para você trabalhar, você precisa ter uma conta no seu nome para que a pessoa deposite o seu salário na sua conta. E, infelizmente, eu não tenho como fazer isso”, disse.
Zambelli promete conteúdos exclusivos e relatos sobre prisão
Como alternativa para conseguir recursos, Zambelli anunciou a criação de uma comunidade virtual com mensalidade de R$ 50.
A iniciativa, segundo ela, oferecerá conteúdos exclusivos sobre diferentes áreas de conhecimento e relatos de sua experiência na prisão.
“Eu vou prover para vocês conteúdos exclusivos de várias áreas de conhecimento. Nós vamos falar sobre tudo e também vou passar um pouco da experiência que eu tive na prisão e o que isso me ensinou”, afirmou.
A ex-deputada pediu que antigos apoiadores contribuam com a assinatura, embora tenha reconhecido que nem todos podem pagar o valor mensal.
“Eu sei que muita gente não tem condição de ajudar isso mensalmente, mas, se você tem condição, […] se você um dia me admirou, eu te peço essa ajuda”, declarou.
Justiça italiana adiou audiência sobre extradição
Em 27 de outubro, a Corte de Apelação de Roma adiou para 24 de novembro a audiência sobre o segundo pedido de extradição de Zambelli apresentado pelo Brasil.
A defesa pediu mais tempo para analisar documentos enviados pelas autoridades brasileiras sobre as condições de detenção e a assistência médica na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.
Relembre o caso
O pedido de extradição em análise está relacionado à condenação de Zambelli a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
O caso ocorreu em outubro de 2022, na véspera do segundo turno das eleições, quando três homens apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cercaram a então deputada Carla Zambelli.
Segundo Zambelli, os homens a xingaram e agrediram diante de seu filho, então com 14 anos. Ela acionou a polícia, mas os três deixaram o local.
Em seguida, a parlamentar perseguiu um deles com uma arma em punho. O episódio ocorreu no bairro dos Jardins, em São Paulo, e ganhou repercussão nas redes sociais.
A Justiça italiana já havia autorizado a extradição, mas a Corte de Cassação anulou a decisão em julho e determinou uma nova análise.
O tribunal pediu esclarecimentos sobre as condições de detenção e as garantias de assistência médica que Zambelli receberia caso retornasse ao Brasil.





