Primeiro nome barrado ao STF desde a redemocratização, o chefe da AGU recebeu apoio de líderes religiosos nas redes sociais
Um dia depois de o Senado rejeitar sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, compartilhou, nesta quinta-feira, 30, em suas redes sociais, um versículo bíblico do livro de Salmos. Evangélico, Messias publicou uma passagem da oração de Davi focada na confiança em Deus durante crises.
A legenda da publicação cita o livro dos Salmos. “Não tenho medo de dez mil inimigos que me cercam de todos os lados.”
Nos comentários da publicação, o ministro recebeu apoio de lideranças evangélicas.
Os bispos Abner Ferreira, da Assembleia de Deus Madureira, e Robson Rodovalho, da Sara Nossa Terra, além do apóstolo Estevam Hernandes, da Renascer em Cristo, reagiram ao conteúdo. Essas lideranças apoiaram Messias desde a indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro do ano passado.
Rejeição de Messias é a 1ª desde a redemocratização
O nome de Jorge Messias foi indicado por Lula para ocupar o assento vago no Supremo desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025.
Entre o anúncio da indicação e a sabatina, passaram-se mais de cinco meses. O presidente só enviou oficialmente a candidatura de Messias ao Senado no começo de abril, esperando um momento mais favorável.
Para chegar ao STF, o ministro de Lula precisava do apoio de ao menos 41 dos 81 senadores, a maioria absoluta. Ele recebeu apenas 34 votos a favor e 42 contra.
Com o resultado, Messias se tornou o primeiro indicado à Corte barrado pelos senadores em 132 anos.
Depois do resultado negativo, Messias falou com jornalistas. Visivelmente abalado, o ministro da AGU lamentou, mas afirmou ter cumprido seu propósito e que aceita a decisão do plenário.
Messias declarou ainda ter passado por um processo de desconstrução de imagem durante os meses de articulação.
A indicação de Messias causou desgaste na relação entre o governo e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que preferia seu aliado Rodrigo Pacheco (PSB-MG).





