A administração de Donald Trump se manifestou sobre a resposta enviada pelo Itamaraty à Câmara dos Deputados nesta semana, que considera uma ação militar dos EUA no Brasil após a designação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Um porta-voz do Departamento de Estado descreveu como “absurdas” as declarações do Ministério das Relações Exteriores, que apontam um risco à soberania brasileira.
O representante do governo Trump afirmou em resposta ao G1 e ao portal Metrópoles nesta terça-feira (7): “Esse comentário [sobre risco de uma ação militar] é um absurdo. Os EUA estão adotando medidas decisivas, com base em suas próprias prerrogativas soberanas, para combater narcoterroristas”.
O porta-voz destacou que as facções brasileiras estão operando dentro do território americano e, por isso, os EUA defenderão seu povo dessas organizações criminosas estrangeiras.
A reação surge após o Ministério das Relações Exteriores do Brasil enviar por meio do chanceler Mauro Vieira uma resposta ao Requerimento de Informação (RIC) 1012/2026 a parlamentares que questionaram a posição do governo brasileiro diante da possibilidade de Washington enquadrar as facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
Segundo o documento, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera que a medida teria impactos relevantes “tanto no plano econômico quanto no da soberania nacional” e avalia que a classificação não traria ganhos concretos para a cooperação bilateral no combate ao crime organizado.
Desde a designação das facções brasileiras, em junho, os EUA já sinalizaram que não darão trégua à atividade do crime organizado originado do Brasil. No início do mês, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA impôs sanções a dois cidadãos brasileiros, três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa por vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC), considerada a maior organização criminosa da América Latina.
Antes disso, em junho, o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês) prendeu um ex-chefe do PCC e do CV durante uma abordagem da polícia de imigração na Carolina do Norte.





