Em Washington, Flávio defende Pix e critica proposta de tarifa de 25%

“Punir aqueles que arcaram com as consequências seria agir no pior momento possível”, afirmou o pré-candidato à Presidência

O senador e Pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para discutir a proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

O parlamentar discursou em inglês e esteve acompanhado do irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que vive atualmente nos EUA.

Durante a audiência, Flávio pediu que o governo Trump suspenda a decisão sobre o tarifaço e afirmou que a medida pode influenciar o cenário político brasileiro às vésperas da eleição presidencial. “O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro, daqui a apenas 90 dias. O cenário político do país seria completamente diferente com a imposição de uma tarifa agora, que seria difícil de reverter”, afirmou o senador.

O senador classificou este como o “pior momento possível” para a adoção da tarifa no Brasil e defendeu o adiamento da medida: “Punir aqueles que arcaram com as consequências seria agir no pior momento possível. Peço respeitosamente apenas uma coisa: não imponham tarifas ao Brasil. Preservem o sucesso dessa reconciliação e permitam-nos negociá-la”.

Flávio também criticou Lula (PT), falou sobre corrupção e citou a investigação sobre descontos indevidos em benefícios do INSS.

“A corrupção é um dos maiores problemas enfrentados pelo povo brasileiro. Não há consenso sobre isso, mas a corrupção tem perpetradores identificáveis. A fraude envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS, na qual o próprio filho do presidente Lula está entre os investigados”, afirmou o senador.

O parlamentar ainda saiu em defesa do Pix, que também faz parte da investigação comercial conduzida pelos EUA. “O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro foi criado durante o governo [Jair] Bolsonaro. Este não é o problema a ser resolvido, mas sim a solução. Ele expandiu a inclusão financeira, trazendo milhões de brasileiros, especialmente os mais pobres, para um sistema econômico que nos permitiu beneficiar diretamente empresas americana”, argumentou.

Ainda de acordo com Flávio, o sistema brasileiro “não concorre com instituições americanas de pagamento”.

A participação do senador ocorreu após o envio de um documento de 86 páginas ao USTR. No material, ele pede a suspensão da tarifa de 25% e solicita que o Pix fique fora da disputa comercial entre Brasil e EUA. Na manifestação ao órgão, Flávio afirmou que a sobretaxa prejudicaria exportadores e consumidores brasileiros e teria efeito político favorável ao governo Lula.

“Em outras palavras, as tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que ele tem adotado: protelar negociações sérias, provocar Washington a retaliar e, então, transformar essa retaliação em uma vitória política interna”, escreveu o parlamentar.

A audiência integra a etapa final da consulta pública da investigação aberta pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que apura práticas consideradas prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos.

A investigação fundamenta a proposta de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros e analisa temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, acordos comerciais, acesso ao mercado de etanol, combate ao desmatamento ilegal, medidas anticorrupção e proteção da propriedade intelectual. Também cita decisões da Justiça brasileira envolvendo redes sociais e aspectos do regime tributário adotado em acordos internacionais.

O governo dos EUA prevê exceções para produtos considerados estratégicos para a segurança nacional, como carne bovina, café, frutas, nozes, especiarias, petróleo e minérios metálicos.

Segundo o USTR, “certos atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais desleais; aplicação de medidas anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal são irrazoáveis e oneram ou restringem o comércio dos EUA, sendo, portanto, passíveis de ação judicial nos termos da Seção 301(b) da Lei de Comércio”.

Crédito Cláudio Dantas

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