Em defesa de 44 páginas, o ministro acusa André Mendonça de agir por motivo ‘político-eleitoral’ a favor de Flávio Bolsonaro (PL); texto entregue à Corte traz erros de português
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), transformou em acusação uma peça de 44 páginas na qual tentou se defender de uma investigação contra ele. No documento, entregue na madrugada desta terça-feira, 15, Moraes afirma que o processo aberto contra ele é uma “tentativa de golpe” remanescente dos atos de 8 de janeiro de 2023.
“A tentativa de golpe não se encerrou em 8/1/2023, simplesmente mudou seu modus operandi“, escreveu o magistrado. “Mas, assim como na primeira vez, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL saberá resistir e sairá fortalecido, mantendo a Defesa plena da CONSTITUIÇÃO, do ESTADO DE DIREITO e da DEMOCRACIA.”
Moraes trata o caso como represália por sua atuação no processo que levou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à prisão. “Apesar da farsa montada e divulgada, não existe absolutamente nada e todos sabem a motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras”, disse. “VINGANÇA. Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.”
O ministro chega a alegar que as mensagens trocadas por ele e pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, e descobertas pela Polícia Federal (PF) são “fantasiosas”, e o argumento central da peça é que André Mendonça agiu por interesse “político-eleitoral” para supostamente favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A expressão aparece 12 vezes no texto, sempre a serviço da tese de que o colega derrubou o sigilo da investigação contra Moraes às vésperas do 7 de Setembro para criar um ambiente favorável à oposição.
Ministro cometeu uma série de erros de português
A peça, escrita por Moraes, também registrou uma série de erros de português no documento. Ao tratar das mensagens, o ministro escreveu “não existe diálogo, que pressupõem”, quando o correto seria o singular “pressupõe”, e “mensagem realmente achadas”, com falha de concordância. Grafou ainda “whatzap” e “WHATZAP” no lugar de WhatsApp e escorregou na pontuação em trechos como “bem como, incluí-lo”.





