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Câmara de São Paulo ignora denúncias contra o padre Júlio Lancellotti e enterra CPI das ONGs

Foto - Roberto Sungi

Objetivo era investigar eventuais abusos sexuais cometidos dentro das organizações

A Câmara Municipal de São Paulo rejeitou, nesta quarta-feira, 3, o pedido de abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das ONGs da Cracolândia. A figura central da CPI seria o padre Júlio Lancellotti, que trabalhou nas ONGs durante anos e sofreu denúncias de abuso sexual.

A rejeição da abertura da CPI ocorre mais de dois meses depois de os peritos Reginaldo Tirotti e Jacqueline Tirotti confirmarem a veracidade das cenas que mostram o padre Júlio Lancellotti se masturbando para um menor de idade. Oeste teve acesso à perícia com exclusividade.

Ex-coroinha que disse ter sofrido abuso do padre Júlio Lancellotti esteve na Câmara de São Paulo

Durante a sessão desta quarta-feira, o vereador Rubinho Nunes (União Brasil), autor do pedido de abertura da CPI, criticou os parlamentares que rejeitaram investigar as denúncias contra o pároco.

“Esta casa está de joelhos para um lacaio do diabo, que dentro da sacristia abusou de vulneráveis, usuários de drogas e coroinhas”, disse o vereador paulistano, referindo-se aos supostos crimes cometidos por Júlio Lancellotti.

O jornalista Cristiano Gomes, que revelou a Oeste os abusos que teria sofrido de Júlio Lancellotti, esteve na Câmara de São Paulo para acompanhar a sessão. Ao fim do discurso de Rubinho Nunes, limitou-se a dizer que perdeu a fé na Justiça.

Até o momento, a Arquidiocese de São Paulo não se manifestou sobre o caso. Pelo menos três pessoas prestaram depoimento à autoridade católica, a fim de expor os supostos abusos cometidos pelo padre.

Paralelamente, a denúncia segue no Ministério Público de São Paulo. Oeste procurou o órgão para saber o andamento do processo, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

A CPI das ONGs

Rubinho Nunes acusa as ONGs de formarem uma espécie de “máfia da miséria” para explorar os dependentes químico”. De acordo com o vereador, essas organizações recebem dinheiro público para distribuir alimentos, kits de higiene e itens para o uso de drogas — prática conhecida como “política de redução de danos”.

Apresentado no fim do ano passado, o requerimento para a instauração da CPI das ONGs teve 25 assinaturas. A comissão pretendia investigar com especial rigor duas instituições: o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, conhecida como Bompar, e a Craco Resiste. Ambas miram a população de rua e dependentes químicos no centro da capital. É o que faz Júlio Lancellotti, ex-conselheiro do Bompar.

“Os dependentes químicos precisam de programas de tratamento de alta qualidade para ajudar a superar o vício”, justifica Rubinho, no pedido de abertura da CPI. “Uma CPI pode avaliar a eficácia dos programas oferecidos pelas ONGs.”

Em dezembro, o padre garantiu que não tem poderes para influenciar tais entidades nem tem projetos conjuntos com as organizações. Em relação à Bombar, especificamente, afirmou que ocupa uma posição sem remuneração no conselho deliberativo da instituição, do qual se desligou oficialmente há 17 anos.

Pressionados pelo bloco de esquerda, pelo menos sete parlamentares desistiram da abertura da CPI. Para que a comissão fosse instalada, o texto precisava ser apreciado pelo colégio de líderes e pelo plenário. Nesta última instância, a aprovação exigiria o apoio de 28 vereadores.

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