Correios registram prejuízo de R$ 3,1 bilhões no 1º trimestre

Estatal ampliou perdas em relação ao ano passado e atribuiu resultado ao plano de reestruturação e a despesas judiciais

Os Correios registraram prejuízo de R$ 3,1 bilhões nos três primeiros meses de 2026. A estatal divulgou o balanço do primeiro trimestre no último sábado, 30. O resultado representa alta de mais de 82% em relação ao mesmo período de 2025, quando o déficit foi de R$ 1,7 bilhão.

No ano passado, o rombo da empresa chegou a R$ 8,5 bilhões. O valor representa mais que o triplo do prejuízo registrado em 2024, de R$ 2,6 bilhões.

O último primeiro trimestre com resultado positivo nos Correios ocorreu em 2022.

Crise na estatal

Desde então, a estatal acumulou déficits sucessivos: R$ 328 milhões em 2023, R$ 801 milhões em 2024, R$ 1,7 bilhão em 2025 e, agora, R$ 3,1 bilhões em 2026.

Nos últimos anos, a empresa enfrentou queda de receitas em serviços tradicionais, aumento de custos operacionais e avanço da concorrência privada no setor logístico.

O crescimento do comércio eletrônico ajudou parcialmente na demanda, mas não compensou problemas estruturais, gargalos operacionais e falta de investimentos.

Reestruturação prevê fechamento de unidades e demissões

No fim de 2025, os Correios anunciaram um plano de reestruturação dividido em três etapas. A primeira fase prevê recuperação da liquidez da estatal com um empréstimo de R$ 12 bilhões firmado com cinco instituições financeiras.

De 2026 a 2027, a empresa pretende executar medidas de reorganização e modernização, incluindo um Programa de Demissão Voluntária para cerca de 10 mil funcionários, fechamento de aproximadamente mil unidades e revisão de cargos de média e alta remuneração.

A terceira etapa, prevista para 2027, será voltada à modernização da operação e à criação de novas fontes de receita.

O que dizem os Correios

Em nota, a estatal afirmou que os resultados estão “compatíveis” com as metas previstas no plano de reestruturação.

Segundo a empresa, o prejuízo ficou abaixo da projeção inicial para o trimestre e já demonstra “efeitos iniciais” das medidas de contenção de despesas e reorganização financeira.

“A gestão rigorosa dos custos e a otimização das despesas operacionais contribuíram diretamente para a redução do prejuízo, em linha com as diretrizes do plano, que prevê melhoria progressiva dos indicadores econômico-financeiros ao longo dos próximos exercícios”, diz o comunicado da estatal.

Os Correios também informaram que despesas com passivos judiciais e precatórios somaram R$ 1,4 bilhão — equivalente a 44% do prejuízo registrado no período.

De acordo com a nota, a estatal pretende retomar o equilíbrio econômico-financeiro e voltar a registrar lucro até o fim de 2027.

Revista Oeste

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