Decisão de Moraes fez gestão Tarcísio determinar que hospitais façam aborto legal acima de 20 semanas

Decisão de Moraes fez gestão Tarcísio determinar que hospitais façam aborto legal acima de 20 semanas

Deliberação suspendeu resolução do CFM sobre assistolia fetal; desde fim do serviço no Cachoeirinha, mulheres relatam dificuldade de acessar o procedimento para gestação tardia

A suspensão da resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina) por Alexandre de Moraes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), fez com que a gestão Tarcísio, por meio do secretário da Saúde, Eleuses de Paiva, determinasse que os hospitais estaduais de referência para o aborto legal realizassem o procedimento sem limite de idade gestacional.

Com o fim do serviço do Hospital e Maternidade Vila Nova Cachoeirinha, em dezembro de 2023, mulheres passaram a ter dificuldade de conseguir a interrupção após a 20ª semana e chegavam a viajar para ter acesso. O local era o único em São Paulo e um dos poucos no Brasil a oferecer o serviço para gravidezes avançadas.

Por meio de um ofício enviado aos estabelecimentos estaduais em 28 de junho deste ano, obtido pela Folha via Lei de Acesso à Informação, o chefe da pasta determinou que “todas as unidades desta Secretaria de Saúde devem realizar o procedimento de interrupção de gestação previsto em lei.”

A resolução do CFM suspensa por Moraes proibia médicos de realizar a assistolia fetal em gravidezes com mais de 22 semanas decorrentes de estupro. O método é recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) nestes casos, mas críticos afirmam que a técnica seria equivalente ao assassinato de bebês por ser presumida a viabilidade fetal após o período

No Brasil, o aborto é permitido quando há risco à vida da mãe, em gestações decorrentes de estupro e em casos de anencefalia fetal. Nessas situações, a interrupção deveria ser realizada em qualquer momento.

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